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A mostrar mensagens de Julho, 2009

Um Passeio pelo Tamisa e o Humor Britânico

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Escrevia Bill Bryson, no seu livro sobre a Grã-Bretanha "Crónica de uma pequena ilha":
“…ainda me espanto e impressiono com a qualidade de humor que se encontra nos lugares mais inverosímeis – lugares onde era impossível acontecer noutros países. Encontramos esse tipo de humor na linguagem dos vendedores das barracas, e no procedimento habitual dos artistas de rua – o tipo de pessoas que fazem malabarismos com paus a arder em cima de “bicicletas” de uma só roda, e que conseguem dizer piadas acerca deles próprios e de pessoas escolhidas no meio da audiência – e também nos espectáculos de pantomimas do Natal, nas conversas de pubs e nos encontros com estranhos em locais isolados.” Confesso que, se há característica de que eu gosto nos ingleses é precisamente esse tipo de humor que encontramos na situação mais inesperada. Um humor sarcástico, feito de trocadilhos e de alusões a pessoas ou situações reconhecíveis. Um humor irresistível. Recordo várias situações: um artista de rua …

Finalmente, o deserto!

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Depois das kasbahs, o deserto. Avançamos na direcção de Erfoud e das dunas de Merzouga. Aqui, já é o deserto a sério, das dunas, da areia dourada, finíssima, morna do sol do fim da tarde, onde apetece enterrar os pés nús. O deserto dos camelos e dos seus cameleiros, cobertos com as suas djellabahs e os seus turbantes azuis. O deserto do silêncio.

O vento morno fazia a areia rodopiar e entrar nas camisolas e nas máquinas fotográficas e na boca. Mas, num certo momento mágico, o céu começou a tingir-se dos vermelhos, laranjas e roxos mais improváveis, e o sol caiu atrás das dunas e das montanhas, ao fundo do horizonte. No mesmo momento mágico, o vento parou e tudo ficou subitamente imóvel. Nem um movimento, nem um som.

Aqui, o nosso silêncio é sempre povoado de pequenos barulhos, cigarras, um carro que passa, um grito ao longe, a folhagem que abana, um cão que ladra. No deserto não se ouve um som e essa é uma sensação esmagadora.
Começa o regresso ao local de encontro. E recomeçam os sons.…

O fascínio das Kasbahs

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Marrocos é um importante destino turístico, por natureza. É um destino exótico mesmo às portas da Europa, muito diferente na sua cultura, hábitos de vida, paisagem. No entanto, embora de religião muçulmana, é suficientemente tolerante em termos religiosos para qualquer europeu se sentir perfeitamente seguro. Por isto tudo, não admira que se vejam tantos turistas em Marrocos. A maioria dos turistas, porém, fica-se pelas cidades do norte de Marrocos, Tânger, Fez, Marraqueche. Visitam as medinas, perdem-se nos mercados e bazares, e regressam carregados de malas e tapetes, tambores e pífaros, chinelas e djelabahs. Fiz exactamente isso na minha primeira viagem a Marrocos, já lá vão 20 anos. Em 2007, voltei a Marrocos numa viagem que me levou para sul das montanhas do Alto Atlas. E encontrei uma região completamente diferente e fascinante. Ainda não é a África negra, subsariana, mas também não é a África da costa mediterrânica. É a região das kasbahs.

Esta região começa logo a sul do Alto Atl…

Munique

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Hoje, quando tentava ressuscitar o meu velho computador para ver o que podia de lá recuperar, encontrei umas fotos antigas de Munique, das quais já nem me lembrava. Foi a primeira viagem grande que fiz com os meus filhos, ele com 10, ela com 8. Até aí, dividia as águas: viajava com o meu marido, ou amigos, e as férias em família, com as crianças, eram na praia. Nesse ano, resolvemos experimentar uma coisa diferente. O meu filho era um entusiasta da Lego e morria de vontade de ir visitar uma Legoland. Foi um bom pretexto, já que eu morria de vontade de visitar os castelos da Baviera. E lá fomos todos para Munique.
Lembro-me da excitação dos miúdos no dia da partida. Levantaram-se de madrugada, sem protestos, para ir para o aeroporto. Eles nunca tinham andado de avião e receberam um certificado e uma prendinha (creio que foi um baralho de cartas!) da TAP. Cada um tinha uma pequena mochila à sua responsabilidade e sentiam-se muito importantes e orgulhosos.

O dia foi longo. Ao fim da tarde,…

A caminho de Jerusalém

Neste mesmo dia 7 de Julho, mas no já longínquo ano da graça de Nosso senhor Jesus Cristo de 1099, Godofredo de Bulhões chegava às portas de Jerusalém. Decorria a primeira Cruzada. Depois do pregão feito pelo Papa, toda a Cristandade se levantou num impulso entusiástico para libertar o Santo Sepulcro das mãos do infiel. É claro que, no século XI, o mundo infiel estava, em muitos aspectos, mais desenvolvido do que a Cristandade, mas isso que importava para aqueles espíritos movidos pela fé, mas também pela ganância de dominar novos territórios e novas riquezas?
Na 1.ª Cruzada, assim como nas que se lhe seguiram, cometeram-se atrocidades indescritíveis, em nome de Cristo e da sua Igreja. Mas conquistou-se Jerusalém. Por algum tempo, até Saladino a reconquistar para o mundo muçulmano. Nessa época, tal como hoje, Jerusalém representava o centro da fé, o prémio supremo. Disputada por três religiões, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, Jerusalém era considerada o centro do mundo, nos mapas d…

Um novo Blogue: Olhares Viajantes

Apeteceu-me criar um novo blogue. Desta vez, é um blogue temático. Se calhar é por estar em férias, mas a verdade é que me apetece mesmo escrever sobre as viagens que já fiz, as impressões que ficaram, como eu olhei para as coisas à minha volta. Postar textos, fotografias, ir organizando álbuns de viagens. Sem ordem especial, ao correr da pena: as etiquetas se encarregarão de ir organizando os meus álbuns. Logo se verá.
Por vezes, irei buscar buscar coisas que já escrevi ao meu outro blogue. Mas aqui só irão caber olhares em busca do que é diferente, olhares viajantes.