sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Regata Histórica de Veneza



Corria o já distante ano de 1982. Eu estudava italiano como cadeira optativa na Universidade e ganhei uma bolsa de estudo para um curso de aperfeiçoamento de língua em Perugia, na região italiana da Umbria. Daí a decidir aproveitar a oportunidade para fazer o Interrail e conhecer melhor melhor a Itália, foi um passo. Assim, as viagens de ida e volta, assim como os fins de semana e todos os tempos disponíveis foram bem aproveitados!
Num desses fins de semana, decidimos ir a Veneza. Eu já conhecia a cidade mas, nesse dia, estava diferente. Sentia-se expectativa em todos os cantos. As ruas, largos e canais estavam engalanados, havia faixas e fitas a cruzar as águas. E cartazes, que anunciavam que a Regata Histórica se realizava nesse fim de semana. Não sabia bem o que era, nunca tinha ouvido falar, mas rapidamente percebi que envolvia desfile de barcos e corridas de gôndolas e que era um espectáculo que eu não podia perder.
No domingo de manhã, já estavamos instalados num dos cais que bordejam o Gran Canal. Percebemos que havia venda de lugares, tanto nos cais como nas varandas circundantes, mas a nós ninguém nos incomodou. E lá ficamos à espera, armados de fruta, sandes e fatias de pizza.
A regata iniciou-se com o desfile dos barcos que antigamente cruzavam os canais. Os passageiros iam vestidos a rigor e acenavam com ar majestático, como nobres e grandes senhores que, por momentos, assumiam ser.

Foi um desfile bonito, mas o melhor estava para vir: as corridas de gôndolas. Os gondoleiros competiam com as camisolas e as fitas do chapéu a ostentarem as cores do seu bairro. A multidão aplaudia e incentivava-os, ruidosamente. E eles davam o seu melhor, impulsionando as gôndolas, de pé na popa dos pequenos barcos, ou em conjunto nas gôndolas de seis, oito, dez remadores!
Segiram-se as corridas femininas. Não percebi se corriam pelos seus bairros ou pela cor dos seus cabelos. Havia barcos de gondoleiras loiras, vestidas com túnicas amarela-açafrão, e outros de gondoleiras morenas, vestidas com túnicas de cor púrpura. De pé nas suas gôndolas compridas, seis em cada gôndola, com os cabelos ao vento apanhados pelas fitas da mesma cor das túnicas, impulsionavam os barcos e arrebatavam os espectadores masculinos. Pareciam deusas voando sobre as águas do canal. A multidão ficava ao rubro!
Foi um espactáculo inesquecível!

Descobri que hoje em dia ainda se faz a Regata Histórica de Veneza, todos os anos, no início de setembro. Gostava de lá ir outra vez! Será que ainda arrebata a multidão? Que ainda se compete pelos bairros de Veneza? Ou será que se tornou apenas mais uma recriação histórica, para consumo turístico? Não sei, não há como ir lá para verificar!
Aqui deixo o link promocional do evento, ao pé das fotografias tiradas em 1982. Para fazer a comparação. Ou para planear a viagem!


sábado, 18 de janeiro de 2014

Gibraltar - Impressões do Rochedo


The Rock - É este o nome popularmente dado a esse estranho enclave britânico no sul de Espanha, que controla a passagem do Atlântico para o Mediterrâneo. E, realmente, é esse aspeto, estranho e súbito, do enorme rochedo, a primeira coisa que nos chama a atenção. Eleva-se abrutamente na paisagem, exibindo a sua eterna coroa de nuvens.
Quando se sobe ao topo do Rochedo, percebe-se a origem dessa nuvem. O ar húmido do mar bate na parede alta e escarpada e é obrigado a subir, condensando-se lá no cimo e dando esse aspeto de boné de garoto, atirado com a pala para trás!
Gibraltar não engana ninguém, é um território britânico. Dos nomes das ruas às bandeiras, dos pubs à libra estrlina, a Inglaterra está sempre presente. E, no entanto, são milhares os trabalhadores espanhóis que, diariamente, cruzam a fronteira para trabalhar do lado de lá. Montados nas suas bicicletas ou em pequenas motas, formam filas intermináveis à entrada ou à saída, mostrando a sua identificação com o ar de quem faz desse gesto um costume.


Não são apenas espanhóis, há muitos emigrantes, com os mais variados tons de pele. À entrada ou à saída, juntamente com os turistas, todos param junto à pista de aterragem do aeroporto, que cruza a estrada principal, junto à fronteira. É mais uma das originalidades de Gibraltar!


O topo do Rochedo é um parque e uma reserva natural. À entrada, uma escultura recorda-nos o nome antigo deste estreito: as Colunas de Hércules.
O interior do Rochedo lembra um queijo suiço: quilómetros e quilómetros de túneis configuram uma instalação militar da maior importância, principalmente desde o século XVII. Alguns troços dos túneis são visitáveis, e podem ver-se os canhões e as casamatas, assim como figuras e cenários que reconstituem algumas das batalhas mais significativas que ali se travaram. Mas a maioria dos túneis são absolutamente vedados, pertencendo às instalações militares britânicas, até hoje ali aquarteladas.


Um dos lugares visitáveis mais interessantes, dentro do Rochedo, é uma gruta - St. Michael's Cave - enorme, com belas estalactites e estalagmites, agora transformado numa sala de concertos.


Por todo o lado se encontram macacos. São a única espécie de macacos oriunda da Europa e que ainda aqui vive em liberdade, e são a grande atração do Parque Natural do Rochedo de Gibraltar. É uma colónia enorme, com os membros bem identificados e aparecem em todo o lado. Apesar de haver regularmente avisos para não dar comida aos macacos, há sempre quem o faça, o que os torna atrevidos e mal-educados. Mas não deixam de ser muito engraçados, com as suas brincadeiras, as suas poses e as suas expressões, quase humanas.


Do outro lado do Rochedo, o farol de Europa Point avisa-nos de que estamos num dos pontos extremos da Europa, lugar de passagem mas também de cruzamento de influências diversas. Talvez por isso, o maior edifício ali construído é uma mesquita!
Decididamente, é um Rochedo diferente!


(Texto e fotos de Teresa Diniz)

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