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A mostrar mensagens de Junho, 2015

Fim de semana alentejano - Monsaraz e arredores

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Alguns quilómetros depois de Évora,encontra-se uma pérola da arquitetura tradicional alentejana: Monsaraz. Equilibrada no cimo do monte, de cada canto, de cada janela de restaurante, de cada ameia das muralhas, se espreita uma belíssima paisagem sobre os campos alentejanos e o rio Guadiana. Conquistada aos mouros pelo célebre Geraldo sem Pavor, ali os Templários construirem um castelo, ainda muito bem conservado. Inclui uma praça de toiros, antiga e original, em que as bancadas são talhadas nas próprias paredes do castelo. A vila medieval de Monsaraz é encantadora. Com as suas casinhas muito brancas a bordejarem as ruas de xisto, apetece passear por ali sem pressas, a apreciar cada rua e cada recanto.


Muito recente, de 2012, o Museu do Fresco situa-se na Praça do Pelourinho. Pretende orientar para uma rota dos frescos em que a região é rica. Segundo nos foi dito, foi na altura da remodelação do antigo espaço museológico que foi encontrada, oculta por uma parede, a peça mais extraordiná…

O Facho da Bonança

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Sabem os que me conhecem do meu fascínio por faróis. Gosto da parte estética dos faróis, a torre, os espelhos e luzes, mas acima de tudo gosto do simbolismo, da luz que guia na escuridão. Enfim, aproxima-se um fim de semana de sol, apetece sair de casa e passear, e não resisto a propor um passeio de descoberta. Não a um farol, mas a um seu antepassado, um facho. Neste caso, é o Facho de Nossa Senhora da Bonança, erguido no alto de uma duna de areia junto à praia de Ofir.

Segundo alguns autores, teria sido mandado construir por D. João III para ajudar os navegantes a ultrapassar os perigos do litoral pedregoso junto a Fão, os famosos "cavalos de Fão". Hoje, é um pequeno edifício quase desmoronado, com uma porta estreita, em arco, encimada pelo brasão de armas de Portugal. Na parede que dá para sul ainda existe um pequeno postigo que permitia observar uma largo pedaço de mar, mas essa função de vigia deixou de ser possível quando foi construída a pequena capela que se encontra a…

A Grande Mesquita de Córdova

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Sempre me  fascinaram as sobreposições culturais. É como se os sítios fossem a base, o substrato em que vão assentando as sucessivas passagens e obras humanas. De cada época, de cada passagem, ficam vestígios, às vezes apagados, outras vezes assimilados. Em poucos locais se consegue ter essa perceção melhor do que na Grande Mesquita de Córdova.


Sinto que podia dar uma aula sobre a história da Península Ibérica só tendo como material esta grande mesquita. Cada época aqui deixou a sua marca, cada povo a sua pegada.


A mesquita original foi construída no século VIII, entre 785 e 787, logo após a invasão muçulmana. Nesse local existia já uma pequena basílica paleo-cristã e dela se aproveitaram algumas colunas. 


Entre os séculos X e XII, a mesquita é ampliada, acompanhando o poderio do Islão na Península. São erguidas mais de 800 colunas, que suportam os magníficos arcos onde o mármore, o granito e o jaspe se juntam, criando um efeito visual único. 


É construído um magnífico mihrab, ou nicho de…

Tordesilhas

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Para nós, portugueses, o nome Tordesilhas evoca o Tratado assinado em 1494 entre Portugal e o recém formado reino de Espanha. Mas quantos de nós já visitaram o local? Geralmente, é um lugar de passagem, entre Portugal e França e, à vista da placa que indica a localidade de Tordesilhas, desenterramos da nossa memória algumas lembranças das longínquas aulas de História e passamos adiante. Mas vale a pena parar. Tordesilhas é um pequeno município na região espanhola de Castela e Leão. Fica perto de Valladolid, junto ao rio Douro, que por ali passa com o nome de Duero. 


É uma povoação muito antiga, talvez de origem romana, ou ainda anterior e o seu património reflete essa antiguidade. O principal monumento da cidade é o convento de Santa Clara, mandado construir como palácio no século XIV, num belíssimo estilo mudéjar. Mas não foi por essa razão que Tordesilhas se tornou conhecida, mas sim pelo Tratado aí assinado.


Logo que se entra na parte antiga da cidade, encontramos um mural, atual, que…

Pegadas portuguesas no mundo

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Neste dia 7 de Junho comemora-se mais um aniversário do Tratado de Tordesilhas que, no já longínquo ano de 1494, dividia o mundo conhecido mais o que haveria para descobrir, em duas metades: uma para Espanha, outra para Portugal. Na metade portuguesa ficou toda a África, parte do Brasil, uma grande parte da Ásia (até algum ponto, mal definido durante muito tempo!). A partir daí, a história é mais ou menos conhecida. Espalhamo-nos por todos os continentes, procurando aventura e conhecimento, mas principalmente produtos para comerciar. Misturamo-nos com os nativos das diversas regiões, criámos muitas mestiçagens. Também criámos um império que tardou em perceber que o mundo tinha mudado. Entre as mestiçagens de que fomos protagonistas, quero destacar a mestiçagem cultural, de que o Brasil é, provavelmente, o melhor exemplo. Por todo o lado, deixámos palavras, modos de viver, toponímia, construções, muitas vezes inovadoras nas suas técnicas construtivas e nos materiais utilizados. 



Quem se l…

Livros e Viagens - Mar Sem Fim

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Aqui há dias, uma amiga fez uma citação deste livro no Facebook e eu não resisti: fui à estante e reli algumas páginas, ao acaso, deste livro de Amyr Klink. Este livro, cujo título completo é Mar sem Fim, 360º ao redor da Antártica, foi-me oferecido por uma querida amiga do Brasil e é um bom exemplo dessa estreita relação luso-brasileira, tecida pela língua. O livro relata a viagem de Amyr Klink, brasileiro de São Paulo, a bordo do seu navio Paratii, em redor da chamada Convergência Antártica. No entanto, abre com uma citação de Fernando Pessoa:

E ao imenso e possível oceano Ensinam estas Quinas, que aqui vês, Que o mar com fim será grego ou romano; O mar sem fim é português.           (Mensagem)

O mar sem fim de Amyr Klink foi uma viagem em redor da Convergência Antártica, a única rota de circumnavegação do mundo que, sem se afastar de um paralelo, consegue fazer todo o percurso apenas por mar, sem nunca tocar terra. Era o projeto de volta ao mundo mais curta mas mais difícil, já muitas ve…

À descoberta da Sicília VI - Taormina e o Etna

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O Etna é o único vulcão atualmente ativo, na Europa. Não podemos deixar de o tentar avistar mas, para isso, decidimos abordá-lo pelo interior e não pela costa, como é habitual. Começamos então a atravessar os Montes Nebrodi, a cadeia montanhosa mais alta da Sicília. 


Foi uma boa decisão, a paisagem é esplendorosa. Entre Naso e Randazzo, sucedem-se os bosques de carvalhos e as pastagens de montanha. Embora estejamos em maio, está frio e há humidade no ar, mas a paisagem compensa. Randazzo fica na encosta do Etna. Não conseguimos ver o topo do vulcão, parece que tem um capacete de nuvens. Mas vêem-se bem os campos nevados, lá no alto, e os rios de lava, negros e granulosos, que avançaram até ao sopé do monte. As gentes daqui utilizam a pedra de lava para muros e construções. Deve ser precisa alguma coragem para viver em Randazzo, ou nas outras povoações que se situam no sopé do vulcão! Talvez por isso tenha duas igrejas tão majestosas!


Depois, prosseguimos para Taormina e Giardini Naxos. C…