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A mostrar mensagens de 2010

Dormir num palácio

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No ano passado completei meio século de existência. E uma das prendas que recebi foi um fim-de-semana no Palace Hotel do Bussaco. Nunca lá tinha estado e foi, realmente, uma experiência extraordinária. O Palácio que hoje funciona como hotel foi construído em 1885 para os reis de Portugal; o rei D. Carlos gostava de o usar como pavilhão de caça. É de uma beleza e harmonia únicas. Construído no mais exuberante estilo neo-gótico, mais exactamente neo-manuelino, multiplica rendilhados, pináculos, gárgulas. Se o exterior é deslumbrante, o interior não o é menos. Aos emblemas reais, às cordas, aos motivos florais, esculpidos em todos os salões e corredores, juntam-se quadros, frescos e painéis de azulejos que evocam Camões e os Lusíadas, mas também outros episódios dos Descobrimentos. Por exemplo, a grande escadaria central está ladeada por dois grandes painéis de azulejos que representam a conquista de Ceuta e a reconquista de Goa. Mas surgem também, logo no salão da entrada, as guerras pe…

El Rocio

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(Santuário da Virgen del Rocio)
A primeira impressão diz-nos que estamos no Far-West, talvez num cenário de um filme de índios e cowboys. Outra hipótese é alguma estância na América do Sul, onde dominam os gaúchos e condutores de gado. Mas não é assim, estamos em plena Andaluzia espanhola, na pequena localidade de El Rocio. É fácil de encontrar. Situa-se no extremo norte da Reserva Natural de Doñana, perto da estância balnear de Matalascañas. Mas é um mundo diferente.
(Altar do Santuário, onde se pode ver a Virgen del Rocio)
Toda a vida da aldeia se organiza em torno do Santuário da Virgen del Rocio. Para a igreja, de exterior imaculadamente branco e interior brilhante de talha dourada, converge anualmente uma das maiores peregrinações de Espanha. A Romaria de El Rocio, como é conhecida, celebra-se no fim de semana do Domingo de Pentecostes. Aqui confluem as culturas cigana, andaluza e equestre, é o reino dos flamencos e das sevillanas. E tanto os homens como as mulheres se vestem a rigor…

Mérida Romana

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Não é necessário ir a Roma para ver os vestígios do Império Romano. Aqui perto de nós, na Estremadura espanhola, a cidade de Mérida mostra-nos na perfeição como era a vida numa cidade romana.
(O Teatro Romano de Mérida)
A cidade de Emerita Augusta foi fundada pelo imperador Augusto em 25 a.C., e tornou-se a capital da província mais ocidental do Império, a Lusitânia. Era uma cidade importante, no cruzamento de eixos viários que dinamizavam a região, com uma vida económica e cultural de grande vigor. O que a torna extraordinária é que os seus muitos monumentos romanos se encontram ainda razoavelmente conservados, permitindo-nos recuar na História, enquanto percorremos a cidade.
(O Templo de Diana)
O monumento mais notável é, sem dúvida, o Teatro Romano. É um dos mais bem preservados do mundo e ainda ali se fazem festivais dramáticos, no Verão. O Teatro está incluído num conjunto mais vasto, de que fazem parte um anfiteatro, jardins, zonas de circulação. Podemos passear por entre os arcos e …

Volta ao Mundo em 80 segundos

Júlio Verne escreveu esse maravilhoso clássico, chamado "A Volta ao Mundo em 80 Dias". Com a aceleração típica da nossa época, este jovem realizador mostra-nos o Mundo em oitenta segundos. As imagens levam-nos de Inglaterra ao Egipto, à India, à China, aos Estados Unidos. É uma volta ao mundo diferente, rápida, captando só o essencial, ou talvez nem isso. É a imagem possível do Mundo em oitenta segundos.


Restos do Império II

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Os dois vestígios mais impressionantes do passado imperial de Roma são o Arco de Constantino e o Coliseu. Reproduzidos até à exaustão em postais, calendários e filmes promocionais, parece que não poderiam oferecer-nos mais nada. No entanto, não é assim.



O Coliseu, mesmo desprovido dos mármores que o ornamentavam nos seus tempos áureos, é um monumento impressionante. Em primeiro lugar, pelo seu tamanho. Tinha espaço para 50.000 espectadores sentados, além do largo palanque onde o imperador e os altos dignatários assistiam aos espectáculos, separados da plebe. Largos corredores circundam as bancadas, servidas também por grandes escadarias, onde nos é fácil imaginar uma multidão de gente a entrar e a sair, a vender, a comer guloseimas nos intervalos, a entusiasmar-se com o programa das festas. Dispostos num espaço ligeiramente ovalado, em três grandes anéis de bancadas, os espectadores assistiam comodamente aos espectáculos que lhes eram oferecidos, espectáculos de sangue e emoção, de que …

Englishman in New York

Já há algum tempo que não publicava aqui uma canção que, de algum modo, se relacionasse com viagens. Esta música de Sting, além de ser das minhas favoritas de sempre, mostra-nos um sentimento possível em relação a Nova Iorque (também uma das minhas cidades favoritas): se por um lado nos sentimos perfeitamente em casa, sendo europeus sentimo-nos sempre ligeiramente extra-terrestres em relação ao estilo de vida nova-iorquino.  É sempre um prazer ver e ouvir.

Restos do Império

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Roma expandiu-se a partir de pequenos núcleos de povoamento junto ao rio Tibre, nas colinas do Palatino, do Aventino, do Quirinal. Aí, os arqueólogos encontraram vestígios dos primeiros povoados; aí, a lenda situou o milagroso salvamento dos dois gémeos Rómulo e Remo pela loba que os amamentou. É a partir desse núcleo original que Roma cresce, expendindo-se pela Itália, e depois por toda a bacia do Mediterrâneo. Ali, perto, no Capitólio, o imperador Marco Aurélio (esculpido por Miguel Ângelo no século XVI), comanda Roma.

Do outro lado da Piazza Venezia, o imperador Trajano mostra ao mundo as suas conquistas, esculpidas na coluna que encima. 

A partir daqui, estendem-se os Foruns Imperiais, onde se situavam os templos, os palácios imperiais, os arcos de triunfo, as basílicas onde se administrava a Justiça. Dois mil anos depois, mesmo em ruínas, ainda é a grandiosidade do Império Romano que domina Roma e esmaga os seus visitantes.

Alguns templos e basílicas foram convertidos em igrejas. Ou…

Viver em Veneza

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(Vista da laguna de Veneza, a partir da Praça de S. Marcos)
Há alguns anos, no decorrer de um curso internacional, coloquei a um velho professor veneziano uma questão que há muito tempo me intrigava: "Tem automóvel?" Ele abriu os olhos, espantado, e retorquiu-me: "Para quê?"
(Um canal em Veneza, com gôndolas)
De facto, para quê? A única ilha onde se pode andar de automóvel, do conjunto de 112 que compõem a cidade de Veneza, é o Lido, a comprida ilha que fecha a laguna. Aí, há uma avenida que acompanha a praia e várias ruas transversais. Tem um casino, vários restaurantes e muitas lojas. Parece-se com qualquer estância balnear da costa italiana. Veneza é outra coisa, são as outras ilhas da laguna.
(Becos e ruelas em Veneza)
Viver em Veneza significa percorrer ruelas e becos, em sítios onde a terra firme é um bem precioso. É viver paredes-meias com uma das maiores concentrações de obras de arte que a humanidade conseguiu produzir, mas também conviver com as inundações e o…

O Castelo do Papa

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(Vista nocturna do Castelo Sant' Angelo)
Começou por ser um Mausoléu, mandado construir pelo imperador Adriano, em 139. Aí foi sepultado, tal como outros imperadores romanos, que ainda aí têm as suas cinzas. Entretanto, as necessidades militares de defesa da cidade de Roma levam à sua inclusão nas muralhas Aurelianas.


(Maquete do Mausoléu de Adriano)
Mas só ganha o seu nome actual de Castelo Sant' Angelo no século VI. Segundo a lenda, grassava na altura uma terrível peste em Roma, que já tinha vitimado muitos romanos. Em desespero, começam a ser feitas procissões na zona onde hoje se situa o Vaticano. É então que o Papa Gregório Magno afirma ter uma visão, o arcanjo S. Miguel sobre o antigo mausoléu, que passa a ser conhecido pelo Castelo do Anjo. Desde essa altura, serviu de residência, refúgio ou fortificação aos Papas.


(Estátua do Arcanjo S. Miguel no topo do castelo)
Pode chegar-se ao Castelo de várias formas, mas a mais espectacular é, sem dúvida, caminhar pela Ponte Sant'…

Château de Chillon

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O Castelo de Chillon é, provavelmente, um dos castelos mais encantadores que eu já alguma vez visitei.

É um castelo medieval, cujas origens remontam provavelmente ao século XIII, pelo menos com o aspecto actual. Foi inicialmente construído para os duques de Sabóia, mas, a partir do século XVI, é utilizado pelos bailios de Berna, que dominavam toda aquela região. 
O castelo está impecavelmente conservado. As salas, os torreões, as escadarias, sofreram um trabalho de recuperação e conservação que não é ocultado ao visitante.

Há placards, discretos, mostrando não só as obras de restauro, como também a função dos aposentos. Este aspecto torna a visita ainda mais didáctica.

Todo o castelo está extremamente cuidado. Está tudo limpo,  há vasos de flores a pontuar os caminhos.

Na entrada, junto das bilheteiras, surge a explicação: todo o trabalho de conservação e exploração do Castelo está a cargo de um grupo de cidadãos, o "Grupo de Amigos do Castelo de Chillon", que gerem as receitas, …