Restos do Império


Roma expandiu-se a partir de pequenos núcleos de povoamento junto ao rio Tibre, nas colinas do Palatino, do Aventino, do Quirinal. Aí, os arqueólogos encontraram vestígios dos primeiros povoados; aí, a lenda situou o milagroso salvamento dos dois gémeos Rómulo e Remo pela loba que os amamentou. É a partir desse núcleo original que Roma cresce, expendindo-se pela Itália, e depois por toda a bacia do Mediterrâneo. Ali, perto, no Capitólio, o imperador Marco Aurélio (esculpido por Miguel Ângelo no século XVI), comanda Roma.


Do outro lado da Piazza Venezia, o imperador Trajano mostra ao mundo as suas conquistas, esculpidas na coluna que encima. 


A partir daqui, estendem-se os Foruns Imperiais, onde se situavam os templos, os palácios imperiais, os arcos de triunfo, as basílicas onde se administrava a Justiça. Dois mil anos depois, mesmo em ruínas, ainda é a grandiosidade do Império Romano que domina Roma e esmaga os seus visitantes.


Alguns templos e basílicas foram convertidos em igrejas. Outros, infelizmente, foram utilizados como estaleiros de obras, fornecedores de pedras para as grandes construções romanas, nos séculos que se seguiram.


É preciso estar ali para percebermos a escala monumental dos templos, a solidez genial da sua engenharia.


É preciso deambular sem pressas no meio dessas velhas pedras, para sentir o que elas nos querem transmitir. Cada coluna, mesmo isolada, cada pórtico, cada arco, conta histórias diferentes de conquista e submissão, de grandeza e miséria: grandeza dos conquistadores, miséria das multidões de escravos que os construiram, submissão dos povos conquistados.


Algumas destas grandes construções mantiveram-se, como testemunhas do passado. É o caso do Arco de Tito. Construído para celebrar as suas grandes vitórias sobre os Judeus da Palestina, na sua face interior ainda se pode ver o painel esculpido que evoca a conquista de Jerusalém e o saque da cidade, vendo-se claramente o candelabro de sete braços (a menorah) trazido em triunfo do Templo de Herodes. 


Em Israel, vi o outro lado da mesma história: a exaltação do sacrifício dos que defendiam o templo de Jerusalém e o seu último reduto, a fortaleza de Massada. Uma conquista, dois relatos opostos. Assim se constroem os impérios.


(Fotografias de Teresa e Fernando Ferreira)

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