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Rise - Into the Wild

Quem já viu o filme "Into the Wild" compreende o que eu digo: é um hino à viagem . Mas não é uma viagem qualquer, é uma busca de si próprio numa viagem até ao mais inóspito, pouco civilizado, selvagem, quase até ao fim do mundo.
O filme baseia-se num facto real. Um rapaz de uma família rica, bom estudante, no final do seu curso resolve recusar o emprego que o pai já tinha preparado para ele, doa os seus bens para instituições de caridade e parte numa viagem e numa aventura que o vai levar até ao Alasca, mas também numa viagem até ao fundo de si próprio. 
Só aqui coloquei uma das canções, mas toda a banda sonora do filme é bela, inspiradora, e leva-nos um pouco consigo na sua viagem. Vale a pena ver e ouvir.


Açores - 1965

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Às vezes, pergunto a mim própria de onde vem este gosto errante que me levaria, se pudesse, a calcorrear o mundo, sempre em busca do que é diferente e genuíno em cada local. Olhando para trás, acredito que esse gosto nasceu numa viagem aos Açores, no ano já longínquo de 1965.
O meu pai adorava viajar. A sua viagem de sonho era a travessia da Ásia no comboio Transiberiano, até Vladivostok. Falava nisso muitas vezes e, embora tenha viajado muito pela Europa, nunca chegou a concretizar esse seu sonho. De vez em quando, metia-nos a todos no carro e partíamos, quase à aventura, pelos caminhos mais inexplorados de Portugal, ou à descoberta das terreolas espanholas mais esquecidas. Sempre sem marcações, ao sabor do momento, um pouco errantes. Mas, naquele ano, fez-nos uma surpresa: um cruzeiro pelos arquipélagos da Madeira e dos Açores.



(Partida da barra do Tejo)


A viagem, em si, já era uma aventura e foi memorável. Embarcámos no velho navio Carvalho Araújo, que fazia transporte de pessoas mas …

Central Park

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Dizem que o Central Park é o jardim das traseiras dos nova-iorquinos. E, na verdade, os nova-iorquinos usam-no como se do seu próprio jardim se tratasse. Ocupa um espaço imenso, no centro da ilha de Manhattan, e constitui um verdadeiro pulmão da cidade. Confesso que não consegui visitar todo o parque. Podia ter alugado uma charrete puxada por um cavalo, ou um daqueles riquexós, puxados por um rapaz de bicicleta, que por ali abundam, em todas as entradas do parque. Mas tenho a mania de ser diferente, gosto de saborear os sítios devagar, sentar-me na relva, observar as pessoas, parar a ouvir um músico ou a apreciar um espectáculo de rua. Qual é o resultado? Estive três vezes no Central Park, conheço cerca de metade do parque.





É um parque diferente, porque tem imensas valências diferentes. Como se tivesse de agradar a toda essa população, tão múltipla e diversa, da cidade de Nova Iorque. Como se quisesse oferecer um espaço do seu agrado a cada habitante da cidade.



Há os restaurantes, com …

As luzes de Manhattan

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Às vezes, numa viagem, o que é mais interessante e saboroso é o que não estava previsto. São aquelas coisas que acontecem ao sabor do acaso e que, no entanto, se gravam em nós para sempre.
Era o início da tarde e deambulávamos, um pouco ao acaso, sem destino certo, pela Baixa de Nova Iorque, o que os nova-iorquinos chamam downtown. Ao fundo de Battery Park, entre os cais, os barcos, os heliportos, destaca-se o enorme edifício da estação fluvial de Staten Island. Dali partem os barcos que atravessam toda a baía de Nova Iorque, até Staten Island, e tinham-nos dito que valia a pena o passeio, até porque é totalmente gratuito.





Entramos na estação e olhamos em volta, para procurar informações de horários, etc. A um canto, numa secretária, estava sentado um homem gordo, de óculos, com uma camisa branca. Estava calor e o homem suava abundantemente, tirando constantemente os óculos e limpando a cara com um grande lenço branco. Dirigimo-nos para ele. Pareceu instantaneamente esquecer o calor e f…

Nova Iorque multicultural

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Um dos traços distintivos e interessantes de Nova Iorque é a sua multiculturalidade. Não é preciso ir a Ellis Island, ao seu Memorial ao Emigrante, para nos apercebermos que estamos perante uma sociedadee colorida e múltipla, onde cada um traça o seu caminho. Os tons de pele são as marcas visíveis das culturas que por ali se cruzaram e enraizaram, desde que, no século XVII, os holandeses compraram aos Índios a ilha a que chamamos hoje Manhattan, para aí estabelecerem uma feitoria. Holandeses e ingleses são os primeiros senhores da ilha e marcaram-na indelevelmente, nos edifícios e nos parques, nos desportos e na organização administrativa. Encontramos a sua memória na Trinity Church e nas campas centenárias que a rodeiam e que escaparam miraculosamente à destruição de 11 de Setembro.



 (Cemitério junto de Trinity Church) (Ao fundo de Wall Street,Trinity Church) 
Depois, começaram a chegar os imigrantes dos países católicos, mais pobres, do sul da Europa, particularmente irlandeses e ital…

Museu da Acrópole - Um Museu transparente

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(Vista Lateral do Novo Museu da Acrópole)
Quando o governo grego decidiu construir o Novo Museu da Acrópole, fez exigências quase impossíveis de cumprir: o Museu não podia tapar as escavações arqueológicas sobre as quais ía ser construído; de qualquer ponto do Museu deveria ser possível avistar a Acrópole, em relação à qual devia servir de espelho, ou de apoio, ou de contraponto. 
(A entrada do Museu)
Face a estas exigências, o arquitecto concebeu uma solução original: fez um museu transparente. Logo à entrada, começamos a caminhar sobre um vidro grosso, sobre as escavações de casas e ruas da velha Atenas. Após os torniquetes de entrada, começamos a subir por uma leve rampa, como se subissemos para a Acrópole. Nas paredes, perfilam-se os achados arquelógicos. Caminhamos sobre vidro, mas a sensação de leveza é ainda aumentada, porque todo o hall do primeiro andar é também de vidro. Portanto, caminhamos entre transparências. 
(A Sala das Imagens)
No primeiro andar, a sala das imagens transpo…

Postcards from Italy

Tal como prometi, aqui está mais uma canção que nos faz viajar. Desta vez, é uma canção dos Beirut, um grupo americano, que nos traz uma sonoridade das pequenas vilas francesas ou italianas, por onde o vocalista passeou e de onde trouxe influências sonoras e culturais. O video é delicioso, e faz-nos recuar até às férias da nossa infância, com os filmes de qualidade duvidosa e as imagens ingénuas dos nossos videos caseiros.



A Residência dos Reis da Baviera - Recomeçar quase do nada

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(Uma das fachadas exteriores da Residência) É o maior palácio urbano da Alemanha e foi aqui a residência dos duques e depois Reis da Baviera entre 1385 e 1918, ano em que é transformado num Museu. Só por isto merecia uma referência. 
(Quarto Real) Situado em Munique, o exterior é clássico; já o interior, é marcado pela exuberância decorativa das muitas salas de aparato do período barroco. São visitáveis 10 pátios e 130 salas, que constituem hoje o Museu de Decoração de Interiores de Munique. Abriga ainda a Sala de Tesouros Reais, uma Sala de Concertos e o Teatro Cuvilliés.
(Salão das Miniaturas) As salas são belíssimas, desde o velho Salão de Baile, hoje chamado Antikuarium, até aos aposentos reais de decoração barroca e rococó, passando por inúmeras salas que albergam autênticos tesouros decorativos, como a Sala das Porcelanas e a Sala das Miniaturas.
(Fonte das Conchas) No exterior, o Jardim convida a um repouso, junto ao pequeno templo de Diana ou à Fonte das Conchas. (Um dos pátios interi…

Grécia - O mar e a montanha

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O que primeiro me cativou foi o azul incrivelmente azul do mar. Um azul de pintura, forte, quase infantil. Depois, as montanhas. As montanhas sucedem-se, num multiplicar de planos quase cinematográfico.
Cada ilha grega é isto, mar e montanha. Aqui em Aegina, amontoadas à beira-mar, as casinhas brancas e ocre dão o toque humano à paisagem. Os pinheiros avançam até à água e as buganvílias espalham manchas coloridas pelas encostas.
Do terraço frente ao meu quarto vejo o mar, com o seu azul infantil, outras ilhas mais pequenas, frente a Aegina, até à costa montanhosa do Peloponeso.


Os barcos atravessam vagarosamente este mar que parece uma baía de águas calmas, e os pequenos navios da Hellenic Seaways cruzam-no mais ligeiros, ligando Aegina ao porto do Pireus.


Num dos pontos mais altos da ilha, há um templo dórico, ainda mais antigo do que o Partenon: o Templo de Aphaea. É um templo muito bonito, pequeno e equilibrado. As suas belas colunas foram construídas com pedras tão perfeitamente ligad…

The City of New Orleans

Algumas canções conseguem captar o espírito da viagem e do viajante. Agora que o inverno está a chegar, decidi pôr aqui algumas dessas canções, para nos inspirarem e transportarem durante os dias frios e chuvosos. 
A primeira é de Willie Nelson, já velhinha, e fala de uma viagem de comboio em New Orleans. A viagem de comboio é talvez a mais atraente para um viajante curioso: o mundo que passa na janela, a observação dos colegas de viagem, o lanche embrulhado num papel pardo, o jogo de cartas com os vizinhos do compartimento... Esta canção fala de tudo isto. Vale mesmo a pena ver o video.
Esta viagem não é minha. Mas bem podia ser!...

As velhas pedras da Acrópole de Atenas

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(Templo de Hefesto) Atenas é uma cidade confusa e suja, que cresceu imenso a partir da independência grega, em 1821. Não teria nada de especial que a recomendasse, não fora o facto de ali ter nascido, há cerca de 25 séculos, a civilização europeia tal como a entendemos. A partir daqui, expandiram-se os conceitos de antropocentrismo, democracia, ou juízo crítico. Como uma coroa, bem visível no centro da cidade, a Acrópole e o que resta dos seus templos. Ao longo dos séculos, sofreu bombardeamentos e explosões, muitos tiraram dali pedras para as suas próprias construções, e bem sabemos como o Museu Britânico conseguiu as inúmeras peças que expõe da arte clássica grega. Aproveitando os Jogos Olímpicos, a cidade modernizou-se e criou, por exemplo, o belo circuito pedestre que circunda a Acrópole.
(Vista da Acrópole) Confesso que me faltam as palavras para falar da Acrópole de Atenas. Compreendo que haja pessoas que olham para ali como para um monte de pedras velhas. "O que é que isto tem…