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A mostrar mensagens de 2015

Apontamentos dos Balcãs

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Falar dos Balcãs é uma abstração. Em primeiro lugar, porque a palavra denomina uma cadeia de montanhas e foi abusivamente estendida a toda a península. Não por má intenção ou desprezo, mas por pura ignorância. No século XVIII, era uma região distante e estranha, dominada pelos Turcos Otomanos, que os Europeus mal conheciam ou pensavam apenas em termos estereotipados. Em segundo lugar, porque a palavra leva ao engano. Dar um nome significa referir uma unidade e, se há conceito que não pode aplicar-se aos Balcãs é “unidade”. A sensação que sobra de uma visita mais ou menos alargada é a de um conjunto de territórios, intrincadamente enredados uns nos outros, mas com referências muito diferentes, em termos culturais, linguísticos, religiosos. Também não há verdadeiramente multiculturalismo, mas sim choques, mal entendidos e fraturas.



Belgrado é uma bela cidade, europeia em todos os aspetos, menos alguns pormenores que afloram de uma história que corre, subterrânea. O passado turco parece p…

Livros e viagens - As Cidades Invisíveis

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Qual é a fronteira entre as viagens que fazemos e as que imaginamos? Não há viagens iguais, já sabemos, é o viajante que faz a viagem, refletindo muito de si naquilo que vê. Nós antevemos, planeamos, revemos as viagens que fazemos. Valorizamos umas coisas e desvalorizamos outras, em função dos nossos gostos, das nossas referências culturais, da nossa experiência de vida. refletimo-nos no que vemos e reportamos os nossos reflexos no que observamos. Italo Calvino, neste livro, parte de conversas imaginárias entre o Imperador Kublai Khan e o viajante veneziano Marco Polo, em que, entre as almofadas de cetim e os rolos de fumo que se evolam dos cachimbos de âmbar, se discute a própria essência do que somos, do que vemos, do que nos rodeia. Marco Polo descreve ao Khan as cidades do seu império, todas com nome de mulher, cidades que podem ou não existir, porque muitas observações podem aplicar-se a qualquer cidade, a qualquer espaço habitado por humanos. Marco Polo mostra-nos o que vê, como e…

Auschewitz - A indústria da morte

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Neste ano em que se comemoram os 70 anos da libertação de Auschewitz e do final da 2.ª Guerra Mundial, tive a possibilidade de visitar aquele que é o mais famoso e mais temido campo do complexo concentracionário nazi. 

Na verdade, o campo é um conjunto de três campos com funções diferentes: - Auschewitz 1 - Campo de concentração. - Auschewitz 2 - Campo de extermínio. - Auschewitz 3 - Campo de fornecimento de mão de obra escrava para o complexo industrial próximo. O terceiro já não existe, mas os dois primeiros são visitáveis e dão-nos uma boa ideia do inimaginável.

O campo de concentração de Auschewitz é hoje um alargado espaço museológico. Tendo mantido muitas das suas estruturas, ainda é possível visitar os barracões, as salas de interrogatório e as celas de detenção, a zona da forca e a parede de execução, o edifício das experiências médicas. 


Em muitos desses espaços, há cartazes, fotografias, desenhos, que explicam e enquadram os horrores que ali se passavam.


Há salas e salas cheias com …

Cracóvia Judaica - Nos passos de Schindler

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Na Cracóvia dos anos 30, viviam cerca de 55 mil judeus. Era uma comunidade pujante, numerosa e próspera. Viviam maioritariamente no velho bairro de Kazimierz, fundado pelo rei polaco Casimiro I no séc. XIV para alojar os judeus da cidade. No bairro havia sete sinagogas, escolas e escritórios, armazéns, uma associação desportiva.Aí se situava também o cemitério judaico, junto à velha sinagoga Remuh.





Hoje, sobram duzentos judeus na cidade, se tanto! O filme "A lista de Schindler", de Spielberg, sobejamente conhecido, mostra-nos esse processo gradual de exclusão, perseguição e morte. Fomos explorar a cidade e os arredores, procurando seguir os passos de Schindler e dos judeus da sua lista.





Começamos pelo bairro judeu. Já mencionei que aí existiam sete sinagogas. Dessas, duas continuam a funcionar como locais de culto, por isso, tivemos de esperar pelo final do "shabat" para as podermos visitar. Das outras, a sinagoga Stara é a maior. Situada no coração do bairro, na Rua…

Canções e Viagens - Janusz Muniak

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A música, como qualquer outra expressão cultural, integra-se num determinado contexto histórico, que nos permite compreendê-la melhor.  Sem a ocupação soviética, não era provável que o jazz polaco atingisse uma dimensão tão significativa. O jazz foi banido da Polónia por Stalin, como expressão do decadente capitalismo ocidental, mas isso só encorajou o desenvolvimento do jazz polaco, que se fortaleceu nas caves underground, juntamente com o anseio por um mundo livre. Hoje, Cracóvia tem um famoso festival de jazz e há cerca de 200 clubes e cafés na cidade velha, onde se pode ouvir jazz! O mais conhecido é o U Muniaka Jazz Club, cujo nome é uma homenagem a esse grande músico que é Janusz Muniak. Aqui está ele...

Grátis em Paris II

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Paris tem muitas facetas, há sempre alguma coisa interessante para descobrir. Até nos cemitérios... O principal cemitério de Paris é o Père Lachaise. Vale a pena passear por lá e encontrar os túmulos de tanta gente conhecida, desde escritores a compositores e cantores famosos. Há um roteiro, que pode ser pedido na entrada, que nos ajuda a encontrar o que queremos, no meio das áleas frondosas, dos memoriais e dos túmulos grandiosos ou humildes. 


Mais antigo, datando do século I, o antigo anfiteatro romano de Lutécia, Arènes de Lutece, foi descoberto quando se faziam umas obras no Quartier Latin. Hoje já não se fazem aí lutas de gladiadores, mas joga-se a petanque e vale a pena passar por lá, sentar nas bancadas e apreciar este jogo tão francês. A entrada é livre. Mas não se pode pensar em Paris sem pensar nos seus museus. Também aqui há algumas ofertas para aproveitar. Há alguns museus cujas coleções permanentes são de entrada gratuita, pagando apenas para entrar nas exposições temporári…

Grátis em Paris I

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Ficou célebre a frase de Audrey Hepburn: Paris is always a good idea... É, realmente, uma cidade fascinante, com muita coisa para usufruir e oferta cultural para todos os gostos e para todas as bolsas. São muitas as atrações que se podem admirar e os locais que se podem apreciar, a custo zero. Vou deixar aqui algumas sugestões, que permitem passar uns dias em Paris com um orçamento económico, mas apreciando todo o ambiente da cidade. Para começar, a Torre Eiffel. É, provavelmente, o monumento mais conhecido de Paris mas, com sinceridade, é mais interessante apreciá-lo de fora do que subir ao topo - o que, para mais, fica caro e nos obriga a perder imenso tempo na fila. Não há vista da Torre Eiffel que se compare à que se pode obter do terraço do Palácio de Chaillot ou do Trocadero. Em alternativa, prepare um piquenique e estenda-se no relvado do Campo de Marte, à espera do anoitecer e das luzes que cintilam na Torre de hora a hora. Se a ideia é ter uma vista panorâmica de Paris, é prefe…