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A mostrar mensagens de Setembro, 2009

Chambord - Um castelo verdadeiramente real

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Quando se pensa em castelos, pensa-se no Vale do rio Loire. E quando se pensa nos Castelos do Loire, inevitavelmente, pensa-se no Castelo de Chambord. É o maior dos castelos do vale do Loire, mandado construir pelo rei Francisco I, segundo um projecto de Leonardo da Vinci.
Quando se chega ao parque de estacionamento e se avista o castelo, pela primeira vez, o sentimento é de esmagamento, pela sua grandiosidade. Em larga medida, a sua graça e originalidade deve-se às inúmeras torres, torreões e terraços que coroam o castelo. Pode-se subir a esses terraços e vale a pena, porque a vista sobre os jardins é magnífica. O interior é interessante, ostentando uma decoração renascentista, onde impera o símbolo de Francisco I, a salamandra. repetido mais de 700 vezes. O que eu achei mais extraordinário, no entanto, foi a grande escadaria central, concebida por Leonardo da Vinci, com uma dupla voluta, o que faz com que a pessoa que sobe e a que desce nunca se encontrem.
Disse Henry James: "Cham…

A rota modernista de Comillas

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Comillas é uma cidadezinha aprazível do norte de Espanha. Tem uma praia concorrida, mas não é isso que a torna especial.
(A praia de Comillas vista do monumento ao Marquês de Comillas)
Nos inícios do século XIX, nasceu em Comillas Antonio Perez. Filho de uma família humilde, emigra para Cuba, onde começa a trabalhar no negócio de exportação de tabacos. Casa com uma herdeira rica, faz o negócio prosperar. Quando volta a Espanha, já é um dos homens mais ricos do país, emprestando dinheiro e barcos ao próprio rei Afonso XII. Não esquece Comillas. Manda aí construir um palacete e convida o rei a visitá-lo. Afonso XII aceita o convite e passa em Comillas dois verões. Antonio Perez, já então transformado em Marquês de Comillas, quer receber o rei condignamente e manda construir o belíssimo palácio Sorellano (é hoje conhecido pelo nome do arquitecto que o concebeu), em estilo neo-gótico.
(Palácio Sorellano)
O rei não vem sozinho, claro! Traz família, amigos. Alguns querem instalar-se nas proximid…

Szoborpark - Um Parque de Estátuas

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A cerca de uma hora de autocarro do centro de Budapeste, andando para sul, encontramos um local verdadeiramente original: o Parque das Estátuas e Gigantescos Memoriais da Ditadura Comunista. Na maioria dos países da antiga Cortina de Ferro, isto é, os países da Europa de Leste com regimes políticos de tipo soviético, a queda do Muro de Berlim acarretou a queda da maioria das estátuas e conjuntos arquitectónicos que povoavam as ruas e praças. Muitas foram destruídas, como se a destruição dos vestígios materiais pudesse apagar as memórias. Tal não aconteceu na Hungria: inteligentemente, o governo pegou nas estátuas, placas toponímicas, e outros vestígios monumentais e guardou-os num parque, onde se preservam as memórias e ainda se ganha alguma coisa com o pagamento das entradas.
Somos recebidos, na imponente entrada, pelos grandes líderes da Revolução, Marx e Lenine. Mas o desconforto começa logo aí, já que eles parecem deslocados, discursando para o espaço vazio. Os soldados empunhando …

Château d'Anet

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(O Castelo de Anet)
O Castelo de Anet fica situado a noroeste de Paris, perto de Dreux. Conheci-o devido a um Projecto de estudos sobre o Renascimento. Não figura nos roteiros turísticos tradicionais, no entanto, na minha opinião, é um dos castelos mais notáveis que visitei em França. Foi construído entre 1547 e 1552, por ordem do Rei de França Henrique II, para a sua amante Diana de Poitiers.
(A entrada do castelo)
O Castelo tem uma entrada notável, concebida por Benvenuto Cellini, onde figura uma imagem de Diana Caçadora. Mas são as graciosas proporções do seu interior que encantam qualquer visitante. O castelo não foi pilhado durante a revolução Francesa, porém o seu recheio foi vendido como Bens Nacionais de França e só no século XIX foi pacientemente recuperado.
(Um dos salões recuperados)
Rodeado de belos jardins, o Castelo impõe-se pela sua beleza tranquila. A Capela, construída no Pátio de Honra do castelo, tem um chão e uma cúpula que jogam entre si, num reflexo fascinante.
(A cúpu…

Neuschwanstein - Um Castelo de Contos de Fadas

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(www.viagensimagens.com/cast_neuschwanstein)
Chamam-lhe um castelo de contos de fadas. Walt Disney inspirou-se nele para o seu castelo da Bela Adormecida e ainda podemos ver uma sua réplica na Disneyland Paris. É o Castelo de Neuschwanstein, no sul da Alemanha. Foi mandado construir pelo rei Ludwig II da Baviera nos finais do século XIX. Diz-se que o rei Ludwig quis, neste seu castelo de Neuschwanstein, reconstituir o mítico castelo do Santo Graal, onde os cavaleiros guardavam o cálice sagrado. O próprio rei Ludwig está envolto em lendas e histórias fantásticas, que o dão como louco, homossexual, místico e outras coisas mais. O que se sabe ao certo é que o jovem rei mandou construir este castelo fantástico num cenário perfeito, um local isolado e de grande beleza, nos baixos Alpes da Baviera, para se isolar das pressões familiares e políticas.
O portão de entrada no castelo (Fotografia de Teresa Ferreira)
O castelo começou a ser construído em 1869. Ludwig queria aí reviver as tradições da…

Belém - Outros muros, outras lamentações

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(Praça fronteira à Igreja da Natividade)
Aproveitando um tempinho livre, fomos à cidade de Belém onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo. Gostei muito da Igreja da Natividade, antiga, bela na sua simplicidade, muito diferente da Igreja do Santo Sepulcro. O ponto central é o lugar do estábulo, onde supostamente se deu o nascimento.
(Local do estábulo onde Jesus Cristo nasceu)
Também ali ao lado, o local onde S. Jerónimo, no século V, viveu e traduziu a Bíblia para latim, produzindo a célebre Vulgata. Tanta História num espaço tão reduzido! Belém fica no território da Autoridade Palestiniana. Dista cerca de 12 quilómetros de Jerusalém, mas temos de atravessar uma fronteira, armados com o nosso passaporte europeu, que facilita bastante as coisas. A grande diferença é que essa fronteira é um enorme muro em betão, com guaritas e militares.
(Na fila para passar a fronteira com a Autoridade Palestiniana)
A saída de Israel para a Palestina não é demorada, já a entrada é mais complicada. Os m…

Os Lugares Santos de Jerusalém

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Jerusalém é quase sinónimo de Lugares Santos. Santos para três religiões, já sabemos. Para os Judeus, aí está o Muro das Lamentações, único vestígio do Segundo Templo, mandado construir por Herodes o Grande. Pensamos que o conhecemos bem, das imagens que vamos vendo na televisão. Mas é bastante diferente, visto e vivido ali mesmo. Começamos a vê-lo ao longe e a perceber a massa humana junto dele. No topo da grande praça fronteira ao Muro, um controlo policial: já estamos a ficar habituados, revista, passa as malas... A praça é grande, mas o recinto que dá acesso ao Muro é muito mais pequeno. Do lado direito, é o recinto das mulheres; do lado esquerdo é o dos homens.


(Lado masculino do Muro das Lamentações)
O recinto dos homens é, talvez, o triplo do das mulheres, por isso, eles rezam tranquila e espaçosamente, enquanto elas se acotovelam num espaço exíguo. Ainda por cima, as mulheres trazem cadeiras e carrinhos de bebé, rezam balançando o corpo ou recuam após rezar junto ao Muro - sempr…

Descendo ao mar Morto

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Sábado é o dia sagrado dos judeus, o Shabat, por isso foi o único dia em que não trabalhámos. Aproveitámos o tempo livre para descer até ao Mar Morto - cerca de 400 metros abaixo do nível do mar - e visitar as ruínas da fortaleza de Massada.
(Subindo no funicular para Massada)
Massada é uma fortaleza e um palácio, mandado construir por Herodes o Grande no cume de um enorme e altíssimo penhasco no deserto, mesmo junto ao Mar Morto. Pode-se subir a pé, e parece que há muitos que o fazem, mas o calor era abrasador e subimos de funicular. Foi nessa fortaleza que se refugiaram os últimos resistentes judeus, quando da Grande Rebelião contra os Romanos, cerca de 70 d.C. (ou Era Comum, como chamam os judeus). E foi aí que decidiram suicidar-se quando, depois de um duríssimo cerco, a derrota já era inevitável. Visitámos a sala onde foram encontrados os pedaços de cerâmica, ostrakon, com os nomes dos últimos sobreviventes, onde tiraram à sorte o nome do que ajudaria os outros e cometeria o suicíd…