A rota modernista de Comillas


Comillas é uma cidadezinha aprazível do norte de Espanha. Tem uma praia concorrida, mas não é isso que a torna especial.

(A praia de Comillas vista do monumento ao Marquês de Comillas)

Nos inícios do século XIX, nasceu em Comillas Antonio Perez. Filho de uma família humilde, emigra para Cuba, onde começa a trabalhar no negócio de exportação de tabacos. Casa com uma herdeira rica, faz o negócio prosperar. Quando volta a Espanha, já é um dos homens mais ricos do país, emprestando dinheiro e barcos ao próprio rei Afonso XII.
Não esquece Comillas. Manda aí construir um palacete e convida o rei a visitá-lo. Afonso XII aceita o convite e passa em Comillas dois verões. Antonio Perez, já então transformado em Marquês de Comillas, quer receber o rei condignamente e manda construir o belíssimo palácio Sorellano (é hoje conhecido pelo nome do arquitecto que o concebeu), em estilo neo-gótico.

(Palácio Sorellano)

O rei não vem sozinho, claro! Traz família, amigos. Alguns querem instalar-se nas proximidades e contratam os arquitectos da moda. É assim que surgem em Comillas várias casas no estilo a que chamamos modernista.
Os marqueses de Comillas constroem a magnífica Universidade Pontifícia (hoje o edifício pertence à Fundação Cervantes) e fazem intervenções no cemitério, com a assinatura de Domenech y Montaner.
(Entrada da antiga Universidade Pontifícia)

Mas o edifício mais espectacular é, sem dúvida, a Casa Capriccio, concebida por Gaudi. Com a sua torre quase mourisca, baseada no trabalho do ferro e na decoração floral, toda em girassóis, destaca-se do casario e justifica, só por si, uma visita a Comillas.

(Casa Capriccio, desenhada por Antoni Gaudi)

Hoje, está transformada num restaurante chinês. Pensamos que estas coisas só acontecem em Portugal. Afinal, não!

(Fotografias Teresa Ferreira)

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