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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Karavan - A música da Rota da Seda

Instrumentos musicais tradicionais uzbeques, numa loja em Bukhara

O Uzbequistão é um país muito jovem. Está agora a celebrar o seu 30.º aniversário enquanto país independente. Antes, teve setenta anos de domínio soviético, constituindo uma das repúblicas socialistas soviéticas. Antes disso, pertenceu ao Império Czarista Russo e, portanto, temos de recuar bastante para encontrar um povo uzbeque se não com liberdade, pelo menos com autonomia, sob a autoridade dos seus emires e khans.

Aqui se localizou o centro do Império de Tamerlão, mas muitos outros povos por aqui passaram, conquistando, destruindo, deixando a sua marca: Alexandre da Macedónia, Ciro da Pérsia, Gengis Khan da Mongólia. Acima de tudo, localizava-se aqui o centro da Rota da Seda.

A Rota da Seda é, provavelmente, o caminho comercial mais importante a interligar continentes, até à chegada de Vasco da Gama à India. Durante centenas de anos, ligou o Oriente e o Ocidente, levando e trazendo produtos de luxo num circuito que tinha como extremos as cidades italianas e a longínqua China. As caravanas transportavam sedas e especiarias, tapetes, peles, escravos, mas também ideias e inovações.

Um jovem tocador de tanbur em Bukhara

O centro desta grande rota comercial situava-se no território que é hoje o Uzbequistão, em cidades como Bukhara, Khiva e, sobretudo, a mítica Samarcanda. Neste "meio do caminho" encontravam-se para comerciar os povos mais diversos. A Rota da Seda enriqueceu e marcou para sempre estes lugares. Manteve-se também no nosso imaginário coletivo, como epítome do sonho e do exotismo.

A música da Rota da Seda, tocada nos instrumentos tradicionais uzbeques, reflete bem as múltiplas influências que aqui se cruzavam, enquanto nos transporta para uma dimensão onírica e quase irreal da Viagem.


sexta-feira, 23 de julho de 2021

As memórias de Liverpool

 

Construções modernas no porto de Liverpool

E pronto, aconteceu mesmo: Liverpool deixou de estar classificada como Património Mundial pela UNESCO. Ou melhor, a UNESCO retirou-lhe essa classificação, o que implica, além da perda de prestígio, a perda de fundos para a sua preservação. Não é um facto inédito, mas é muito raro.

Guardo de Liverpool uma memória cinzenta. Céus nublados sobre cais intermináveis com navios de todos os tamanhos, num emaranhado de cascos e cordas e gruas. Foi precisamente esse porto e esse movimento de navios que deram glória e riqueza a Liverpool. Ali chegavam os produtos de todo o império britânico, particularmente os preciosos fardos de algodão cultivados na América, que estiveram no arranque da Revolução Industrial. Chegou a ser o maior porto atlântico inglês, por onde circularam também milhões de pessoas, entre o Velho e o Novo Mundo. O primeiro troço de caminho de ferro do mundo foi construído ali, ligando Liverpool à grande cidade industrial de Manchester. Por ali circulava uma imensa quantidade de produtos e de riqueza.

As ruas estreitas do centro

Foi essa memória que levou a UNESCO a classificar Liverpool como Património Mundial da Humanidade. Mas o tempo passou e a tentação da modernidade foi maior. A zona portuária foi desfigurada por construções modernistas e arrojadas. Até um estádio de futebol para uma das equipas da cidade aí está a ser construído. Tudo muito bonito, talvez, mas sem cuidar da preservação da memória. E o resultado aí está!...

Entrada em Mathew Street

Quando recordo Liverpool, todavia, não é o porto movimentado que me assalta a memória. Não foi por isso que lá fui. Numa rua estreita do centro da cidade, chamada Mathew Street, havia um clube de música ao vivo. Aí tocaram ou iniciaram as suas carreiras muitos nomes conhecidos do mundo da música. Os seus nomes estão gravados nos tijolos que compõem a fachada. 

The Cavern Club


Os nomes gravados nos tijolos

Aí se estrearam os Beatles, que aí continuaram a tocar muitas vezes. Nessa rua, nesse clube, The Cavern Club, presta-se homenagem a esse grupo de quatro jovens que revolucionaram a música pop. Hoje, a rua está cheia de memoriais dos mais variados. Até os bares ostentam nomes que fazem referência a músicas dos Beatles, como o Sgt. Pepper’s.


Atualmente, talvez não se tenha noção da dimensão da mudança que os Beatles protagonizaram. Mas foram marcantes para a minha geração e foi para lhes prestar homenagem que fui a Liverpool. Espero que essa memória continue a ser preservada.

Eu e o meu amigo John Lennon...

(Fotografias de 2006, exceto a das atuais construções no porto de Liverpool, retirada do Google, da página do jornal Siete)

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Canções e viagens - A música Klezmer

Ouvi pela primeira vez a música klezmer há alguns anos atrás, num pequeno restaurante do bairro judeu de Cracóvia. Uma concertina, um clarinete, uma pandeireta ou um tambor, sempre um violino, e estão presentes os ingredientes básicos para um concerto klezmer. Às vezes, integra-se ali um piano, mas não é essencial, esta música é para ser tocada e dançada em festas populares, no meio de rodas de gente. 
Mas, afinal, o que é a música klezmer? As suas origens são nebulosas. O termo designa uma das formas musicais criadas pelos judeus asquenazes que se foram instalando, a partir do século XI, na Europa Central e Oriental e as influências das melodias e dos ritmos das músicas populares dessas regiões são notórias. A palavra vem de klezmorim, nome dos músicos populares que animavam as ocasiões festivas, como os casamentos ou a cerimónia da circuncisão. Por isso, a maioria destas músicas são temas alegres e ritmados, que convidam à dança.
Com o Holocausto, os judeus da Europa central e oriental foram dizimados, as sinagogas destruídas, e a música klezmer quase desapareceu também. Só nos anos 70 do século passado, jovens músicos conseguiram reconstituir e retomar a tradição da música popular judaica, a partir de gravações do início do século, ou do que era transmitido por velhos músicos sobreviventes. Hoje, esta música está de novo viva e vibrante, e continua a convidar-nos a entrar na roda e a dançar.
Aqui há dias, assisti em Lisboa a um concerto de um grupo chamado Oy Division (não, não tem nada a ver com os Joy Division!) que toca uma música klezmer que alia a tradição à modernidade, as velhas sonoridades a novos temas. É desse grupo que aqui incluo um video de apresentação, com trechos das suas músicas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Canções e Viagens - Janusz Muniak


A música, como qualquer outra expressão cultural, integra-se num determinado contexto histórico, que nos permite compreendê-la melhor.  Sem a ocupação soviética, não era provável que o jazz polaco atingisse uma dimensão tão significativa.
O jazz foi banido da Polónia por Stalin, como expressão do decadente capitalismo ocidental, mas isso só encorajou o desenvolvimento do jazz polaco, que se fortaleceu nas caves underground, juntamente com o anseio por um mundo livre.
Hoje, Cracóvia tem um famoso festival de jazz e há cerca de 200 clubes e cafés na cidade velha, onde se pode ouvir jazz! O mais conhecido é o U Muniaka Jazz Club, cujo nome é uma homenagem a esse grande músico que é Janusz Muniak. Aqui está ele...


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Canções e viagens - Piaf em Paris



No ano passado, por esta altura, andava a passear por Paris. 
Nada muito novo, tudo já tinha sido visto e revisto, mas não tem importância nenhuma, Paris é sempre uma boa ideia, como diria Audrey Hepburn...
E há sempre coisas novas, como este homem que tocava Piaf na sua harpa, nas escadarias do Sacré-Coeur. Edith Piaf condiz com Paris. Non, je ne regrette rien...


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Caravansary

A Rota da Seda! Um apelo irreprimível a todos os nossos sentidos, a atracção pelo exótico, pelo distante, pelo diferente!
Também é um pretexto para mais uma música que nos leva de viagem. Desta vez, o músico é Kitaro, compositor e multi-instrumentista japonês. que venceu um Grammy em 2001 na categoria New Age. A partir de 1980, produziu várias bandas sonoras para "Silk Road" um série documental japonesa. Dessas músicas, escolhi para partilhar "Caravansary", não só pela beleza da melodia, como também pelas imagens que compõem este pequeno video e que são como pequenos flashes, instantâneos, das diversas cidades e culturas que se sucedem nessa velha Rota da Seda, que mantém todo o seu encanto.


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Englishman in New York

Já há algum tempo que não publicava aqui uma canção que, de algum modo, se relacionasse com viagens. Esta música de Sting, além de ser das minhas favoritas de sempre, mostra-nos um sentimento possível em relação a Nova Iorque (também uma das minhas cidades favoritas): se por um lado nos sentimos perfeitamente em casa, sendo europeus sentimo-nos sempre ligeiramente extra-terrestres em relação ao estilo de vida nova-iorquino. 
É sempre um prazer ver e ouvir.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Rise - Into the Wild

Quem já viu o filme "Into the Wild" compreende o que eu digo: é um hino à viagem . Mas não é uma viagem qualquer, é uma busca de si próprio numa viagem até ao mais inóspito, pouco civilizado, selvagem, quase até ao fim do mundo.
O filme baseia-se num facto real. Um rapaz de uma família rica, bom estudante, no final do seu curso resolve recusar o emprego que o pai já tinha preparado para ele, doa os seus bens para instituições de caridade e parte numa viagem e numa aventura que o vai levar até ao Alasca, mas também numa viagem até ao fundo de si próprio. 
Só aqui coloquei uma das canções, mas toda a banda sonora do filme é bela, inspiradora, e leva-nos um pouco consigo na sua viagem. Vale a pena ver e ouvir.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Postcards from Italy

Tal como prometi, aqui está mais uma canção que nos faz viajar. Desta vez, é uma canção dos Beirut, um grupo americano, que nos traz uma sonoridade das pequenas vilas francesas ou italianas, por onde o vocalista passeou e de onde trouxe influências sonoras e culturais. O video é delicioso, e faz-nos recuar até às férias da nossa infância, com os filmes de qualidade duvidosa e as imagens ingénuas dos nossos videos caseiros.



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

The City of New Orleans

Algumas canções conseguem captar o espírito da viagem e do viajante. Agora que o inverno está a chegar, decidi pôr aqui algumas dessas canções, para nos inspirarem e transportarem durante os dias frios e chuvosos. 
A primeira é de Willie Nelson, já velhinha, e fala de uma viagem de comboio em New Orleans. A viagem de comboio é talvez a mais atraente para um viajante curioso: o mundo que passa na janela, a observação dos colegas de viagem, o lanche embrulhado num papel pardo, o jogo de cartas com os vizinhos do compartimento... Esta canção fala de tudo isto. Vale mesmo a pena ver o video.
Esta viagem não é minha. Mas bem podia ser!...