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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Canções e viagens - A música Klezmer

Ouvi pela primeira vez a música klezmer há alguns anos atrás, num pequeno restaurante do bairro judeu de Cracóvia. Uma concertina, um clarinete, uma pandeireta ou um tambor, sempre um violino, e estão presentes os ingredientes básicos para um concerto klezmer. Às vezes, integra-se ali um piano, mas não é essencial, esta música é para ser tocada e dançada em festas populares, no meio de rodas de gente. 
Mas, afinal, o que é a música klezmer? As suas origens são nebulosas. O termo designa uma das formas musicais criadas pelos judeus asquenazes que se foram instalando, a partir do século XI, na Europa Central e Oriental e as influências das melodias e dos ritmos das músicas populares dessas regiões são notórias. A palavra vem de klezmorim, nome dos músicos populares que animavam as ocasiões festivas, como os casamentos ou a cerimónia da circuncisão. Por isso, a maioria destas músicas são temas alegres e ritmados, que convidam à dança.
Com o Holocausto, os judeus da Europa central e oriental foram dizimados, as sinagogas destruídas, e a música klezmer quase desapareceu também. Só nos anos 70 do século passado, jovens músicos conseguiram reconstituir e retomar a tradição da música popular judaica, a partir de gravações do início do século, ou do que era transmitido por velhos músicos sobreviventes. Hoje, esta música está de novo viva e vibrante, e continua a convidar-nos a entrar na roda e a dançar.
Aqui há dias, assisti em Lisboa a um concerto de um grupo chamado Oy Division (não, não tem nada a ver com os Joy Division!) que toca uma música klezmer que alia a tradição à modernidade, as velhas sonoridades a novos temas. É desse grupo que aqui incluo um video de apresentação, com trechos das suas músicas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Israel: uma teia de culturas


No norte de Israel, mesmo junto ao Mar Mediterrâneo e à fronteira com o Líbano, há um promontório que avança sobre o mar. É constituído por pedra de grês, semeada de pequenos pedaços de sílex, o que lhe dá um aspecto de claras batidas em castelo com pedacinhos de chocolate. Naquelas rochas facilmente moldáveis pelo mar e pelo vento, nidificam várias aves e tartarugas, e formou-se um conjunto de grutas e túneis onde a água bate e redemoinha,e a luz cria reflexos e tonalidades inesperadas. Esse promontório é Rosh Ha-nikra.

O promontório de Rosh Ha-nikra

Apesar de ser um sítio belíssimo, não se vêem muitos turistas, talvez por ser um local de fronteira, problemático e altamente vigiado. No cume do monte, há guaritas, e barcos de guerra israelitas patrulham o mar. Mas vamos abstrair-nos disso, enquanto o mais curto e íngreme funicular do mundo nos deixa à entrada das grutas. Há uma lenda, claro, de uma princesa turca que, transportada por aqui a caminho de um casamento forçado em Tiro, se atirou das rochas e, agora, continua a fazer ouvir os seus choros e lamentos nas reentrâncias das rochas.

No mais pequeno funicular do mundo

Não consigo ouvir os seus lamentos mas, enquanto aprecio os reflexos da luz na água revolta, penso nos lamentos de muitas outras populações que aqui se confrontaram, ao longo dos séculos. Ainda se podem ver os restos de um túnel para caminho-de-ferro aberto pelos colonizadores britânicos e feito explodir pelos resistentes judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Espero que os confrontos humanos não acabem por destruir esta maravilha da Natureza, que não tem culpa de existir junto a uma das fronteiras mais instáveis do mundo.

Os locais de nidificação

À medida que descemos, junto à costa, vamos entrando na Israel da modernidade.
S. João de Acre (ou Akko) é já uma cidade diferente, habitada essencialmente por Árabes, mas que se mostra como uma encruzilhada de povos e culturas. Aí, são os complexos conjuntos monumentais dos Cavaleiros Hospitalários, construídos durante as Cruzadas, que dominam a paisagem da cidade, lado a lado com as mesquitas e os banhos sumptuosos construídos pelos Turcos. Continuando para Sul, entramos em Haifa, com o seu porto movimentado e os seus jardins tranquilos.

O porto de Haifa visto dos Jardins Baha'i

Depois, surge Telavive. A capital económica de Israel é uma cidade vibrante de vida. A avenida marginal faz lembrar Copacabana, com os seus grandes prédios, modernos, de um lado, e a longa praia do outro lado. Abundam os bares de praia, as banhistas atravessam a avenida em trajes de praia, coloridos e reduzidos, e qualquer semelhança com Jerusalém é pura coincidência.

Avenida marginal de Telavive

Ao fim e ao cabo, é isto Israel: uma complexa teia de culturas e modos de viver, em que todos os grupos consideram que têm direito ao seu espaço. E têm, claro! E têm o dever de aceitar os outros, para poderem também eles ser aceites.

Israel, Julho / Agosto de 2009 (Fotografias de Teresa Ferreira)

domingo, 13 de setembro de 2009

Belém - Outros muros, outras lamentações




(Praça fronteira à Igreja da Natividade)

Aproveitando um tempinho livre, fomos à cidade de Belém onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo. Gostei muito da Igreja da Natividade, antiga, bela na sua simplicidade, muito diferente da Igreja do Santo Sepulcro. O ponto central é o lugar do estábulo, onde supostamente se deu o nascimento.

(Local do estábulo onde Jesus Cristo nasceu)

Também ali ao lado, o local onde S. Jerónimo, no século V, viveu e traduziu a Bíblia para latim, produzindo a célebre Vulgata. Tanta História num espaço tão reduzido!
Belém fica no território da Autoridade Palestiniana. Dista cerca de 12 quilómetros de Jerusalém, mas temos de atravessar uma fronteira, armados com o nosso passaporte europeu, que facilita bastante as coisas. A grande diferença é que essa fronteira é um enorme muro em betão, com guaritas e militares.

(Na fila para passar a fronteira com a Autoridade Palestiniana)

A saída de Israel para a Palestina não é demorada, já a entrada é mais complicada. Os militares asseguram-se de que não há palestinianos, ou outros intrusos; aqui, a presença dos militares é ainda mais intensa, há que evitar bombistas e atentados...

(O Muro, do lado palestiniano)

Já em Jerusalém Ocidental, passámos por uma escola, grande e moderna. O nosso guia, judeu filho de brasileiros, e o árabe que conduz o autocarro, ambos têm os filhos nesta escola. É uma das poucas escolas pluriculturais que existe em Israel e é uma novidade. Aguçaram-nos a curiosidade, queremos saber mais. É uma escola frequentada indistintamente por árabes e israelitas que, a partir dos três anos, se tornam bilingues, já que há dois professores nas classes primárias e todos aprendem árabe e hebreu. Festejam-se em conjunto as principais festas judaicas e muçulmanas, aprendem-se os cânticos para se poder cantar em conjunto, respeitam-se as tradições mútuas. Aprendem em conjunto, brincam em conjunto, talvez venham a conseguir viver em conjunto.
Talvez, assim, aquele grande muro que o ódio e o medo foram construindo, deixe um dia de ser necessário!

(Fotografias de Teresa Diniz)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Os Lugares Santos de Jerusalém



Jerusalém é quase sinónimo de Lugares Santos. Santos para três religiões, já sabemos.
Para os Judeus, aí está o Muro das Lamentações, único vestígio do Segundo Templo, mandado construir por Herodes o Grande. Pensamos que o conhecemos bem, das imagens que vamos vendo na televisão. Mas é bastante diferente, visto e vivido ali mesmo. Começamos a vê-lo ao longe e a perceber a massa humana junto dele. No topo da grande praça fronteira ao Muro, um controlo policial: já estamos a ficar habituados, revista, passa as malas... A praça é grande, mas o recinto que dá acesso ao Muro é muito mais pequeno. Do lado direito, é o recinto das mulheres; do lado esquerdo é o dos homens.



(Lado masculino do Muro das Lamentações)

O recinto dos homens é, talvez, o triplo do das mulheres, por isso, eles rezam tranquila e espaçosamente, enquanto elas se acotovelam num espaço exíguo. Ainda por cima, as mulheres trazem cadeiras e carrinhos de bebé, rezam balançando o corpo ou recuam após rezar junto ao Muro - sempre de frente para o Muro, em sinal de respeito - o que torna o espaço apertado e confuso. Na zona masculina, entretanto, o espaço abunda e os homens rezam cantando. Machismo, em versão judia ortodoxa?

(Lado feminino do Muro das Lamentações)

No local do antigo Templo, foi construída no século VII, pelos muçulmanos, a belíssima Cúpula da Rocha. Segundo a tradição islâmica, aqui teria sido o local da Viagem Nocturna de Maomé. É um edifício espectacular e uma das grandes obras de arquitectura islâmica, que domina a vista sobre Jerusalém. Infelizmente, é difícil visitá-la. Todas as ruas que lhe dão acesso estão fechadas por tropas israelitas, que deixam entrar apenas os fiéis muçulmanos, para as orações.

(Vista da Cúpula da Rocha)

Para os cristãos, Jerusalém é o local da paixão e morte de Jesus Cristo e, como tal, foi considerada o centro do mundo.

(Entrada da Igreja do Santo Sepulcro)

O ponto que concentra a devoção é a Via Dolorosa e a Igreja do Santo Sepulcro onde, segundo a tradição, Jesus foi sepultado. É uma igreja muito confusa, cheia de capelas, reconstruções, acrescentos. Está em vigor um Status Quo que divide a custódia da igreja entre arménios, gregos, coptas, católicos, etíopes e sírios. Cada um destes grupos gere os seus espaços e atrai a atenção do visitante, com as suas vestes e rituais diferenciados.

(Mosteiro etíope na Igreja do Santo Sepulcro)

Pode não se ser cristão, nem mesmo crente, seja no que for. No entanto, aquela igreja ressuma fé. Sente-se a fé nos degraus muitas vezes calcados, nas pedras do túmulo, desgastadas das mãos que para ali se estenderam durante tantos séculos, nos locais onde tanta gente se ajoelha e reza e coloca a cabeça e coloca as suas ânsias e promessas. Pode não se ser crente. Mas essa fé de séculos ressuma das pedras, atinge-nos e comove-nos profundamente.

(Oliveiras centenárias no Jardim de Getsemani)

sábado, 5 de setembro de 2009

Descendo ao mar Morto




Sábado é o dia sagrado dos judeus, o Shabat, por isso foi o único dia em que não trabalhámos. Aproveitámos o tempo livre para descer até ao Mar Morto - cerca de 400 metros abaixo do nível do mar - e visitar as ruínas da fortaleza de Massada.


(Subindo no funicular para Massada)

Massada é uma fortaleza e um palácio, mandado construir por Herodes o Grande no cume de um enorme e altíssimo penhasco no deserto, mesmo junto ao Mar Morto. Pode-se subir a pé, e parece que há muitos que o fazem, mas o calor era abrasador e subimos de funicular. Foi nessa fortaleza que se refugiaram os últimos resistentes judeus, quando da Grande Rebelião contra os Romanos, cerca de 70 d.C. (ou Era Comum, como chamam os judeus). E foi aí que decidiram suicidar-se quando, depois de um duríssimo cerco, a derrota já era inevitável. Visitámos a sala onde foram encontrados os pedaços de cerâmica, ostrakon, com os nomes dos últimos sobreviventes, onde tiraram à sorte o nome do que ajudaria os outros e cometeria o suicídio em último lugar. Quando os Romanos entraram em Massada, só restavam duas mulheres e uma criança.



(Vista sobre o deserto e o Mar Morto, do alto da fortaleza)

Hoje, acima de tudo, Massada é um símbolo da resistência dos judeus. Há turmas de jovens que aí vão comemorar o seu bar mitzvah e os soldados fazem aí o seu juramento de defesa do Estado de Israel. E, por todo o lado, a mesma frase:Massada não voltará a cair!
Depois, para descontrair, banho no Mar Morto. Banho no Mar Morto? Não, banho numa sopa salgada e meio oleosa, com uma temperatura de cerca de 35º C. Ok, valeu pela experiência. Agora, dêem-me as minhas belas praias atlânticas, se faz favor!


(Mulheres muçulmanas tomam banho no Mar Morto; em primeiro plano, as rochas cobertas de sal)

sábado, 29 de agosto de 2009

O Santuário do Livro



O Santuário do Livro foi construído dentro do espaço do Museu de Israel, para albergar os Manuscritos do Mar Morto, isto é, os rolos manuscritos encontrados no deserto, nas grutas de Qumran, e onde está escrita a mais antiga cópia conhecida da Bíblia. O edifício é extraordinário e cada pormenor é pensado e concebido de acordo com a importância e o significado dos manuscritos. Na sala principal, redonda, o centro é ocupado por um enorme rolo, enrolado como um rolo da Thora, onde se encontram excertos de textos do profeta Isaías. A toda a volta da sala, que se desdobra em dois andares, excertos dos manuscritos e objectos encontrados em Qumran, acompanhados por textos explicativos da maneira de viver e da fé dos Essénios, que terão produzido estes manuscritos.

O topo do edifício, a única parte que não está debaixo da terra, é uma enorme cúpula com o feitio da tampa dos potes onde os manuscritos foram encontrados, enrolados e fechados. Essa estrutura, em branco, contrasta com uma enorme parede em mármore negro, simbolizando, frente a frente, a luta entre o bem e o mal, entre a luz e a escuridão, de que falam os manuscritos escondidos lá em baixo, no coração da terra.


Fotografias de Teresa Ferreira

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Jerusalém



Quando se chega a Jerusalém, a primeira impressão é a de uma cidade cor de areia. Todos os edifícios são da mesma cor, a cor da areia, a cor do deserto.
Mas esse é o único sinal de homogeneidade. Percebemos rapidamente que é uma cidade de contrastes, onde o antigo coabita com o moderno e o amor coabita com a morte.

Jerusalém é considerada cidade santa por três religiões, judaísmo, cristianismo, islamismo, e aí existem monumentos sagrados para milhões de crentes das três fés. Devia ser uma cidade de paz, no entanto...
Há dois grupos de pessoas que encontramos um pouco por todo o lado: soldados e judeus ortodoxos. O que nos chama mais a atenção, logo que chegamos, são os soldados, em todas as ruas e praças, tanto rapazes como raparigas, já que o serviço militar é obrigatório para ambos os sexos entre os 18 e os 20 anos. É estranho entrar numa loja e ver rapariguinhas a experimentar brincos, ou a comer um hamburguer, com uma metralhadora a tiracolo.
Sendo aqui o centro da Terra Prometida, Jerusalém é também a cidade israelita onde vive um maior número de judeus ortodoxos. Distinguem-se bem, com os seus fatos pretos que parecem fora de moda, camisa branca e as franjas do xaile de oração a aparecerem por baixo do casaco. Na cabeça, um chapéu preto ou, no mínimo, a simples kipah . As mulheres judias ortodoxas também se distinguem bem, com as suas saias pretas, camisas direitas e cabelos escondidos atrás de um lenço, uma pequena boina ou até uma peruca, já que a mulher casada só deve mostrar o cabelo ao marido.

Tirei muitas fotografias a pessoas, homens e mulheres, soldados ou religiosos. De início, são desconfiados, mas depois de perceberem as nossas intenções, tornam-se simpáticos e conversadores, contam sobre as suas tradições e maneira de viver e até gostam de posar para a fotografia!

Há um Centro Comercial junto ao Hotel, que dá também acesso à estação de autocarros. Não tem nada de especial, excepto lojas desarrumadas e poeirentas. Mas a entrada é complicada, porque temos de passar por dois controlos policiais. O primeiro é ainda na rua e é feito por polícias. O segunda é na entrada e é controlo de raios-X, tipo aeroporto. Os israelitas já estão habituados e atroleplam-se para pôr as malas e outros objectos no tapete rolante, têm pressa, querem despachar-se. Para nós, é uma experiência estranha. Mas já começamos a habituar-nos ao controlo policial constante.
Perto do hotel, também há um souk colorido e animado, onde compram e vendem tanto judeus como árabes. Tirei algumas fotografias, mas as fotografias não conseguem captar os pregões gritados dos homens, nem o cheiro intenso das frutas e das especiarias.

(Fotografias de Teresa Ferreira)

domingo, 12 de julho de 2009

A caminho de Jerusalém


Neste mesmo dia 7 de Julho, mas no já longínquo ano da graça de Nosso senhor Jesus Cristo de 1099, Godofredo de Bulhões chegava às portas de Jerusalém. Decorria a primeira Cruzada. Depois do pregão feito pelo Papa, toda a Cristandade se levantou num impulso entusiástico para libertar o Santo Sepulcro das mãos do infiel. É claro que, no século XI, o mundo infiel estava, em muitos aspectos, mais desenvolvido do que a Cristandade, mas isso que importava para aqueles espíritos movidos pela fé, mas também pela ganância de dominar novos territórios e novas riquezas?

Na 1.ª Cruzada, assim como nas que se lhe seguiram, cometeram-se atrocidades indescritíveis, em nome de Cristo e da sua Igreja. Mas conquistou-se Jerusalém. Por algum tempo, até Saladino a reconquistar para o mundo muçulmano. Nessa época, tal como hoje, Jerusalém representava o centro da fé, o prémio supremo. Disputada por três religiões, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, Jerusalém era considerada o centro do mundo, nos mapas da Idade Média.


Se Deus me ajudar, Deus, Elohim, Alá - tantos nomes para a mesma necessidade de sagrado - lá estarei em Jerusalém no fim deste mês, para fazer um Curso sobre Ensino do Holocausto.

Também comecei o meu cerco a Jerusalém.

(Texto escrito e publicado em 7 de Julho de 2009)

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No passado domingo, dia 5 de Julho, o grupo de professores que vai a Jerusalém fazer o curso "Memória e Ensino do Holocausto" encontrou-se na Biblioteca da Sinagoga de Lisboa para conhecer alguns pormenores logísticos da viagem e do curso.
Gostei de conhecer a sinagoga, que não conhecia, nem sabia onde se situava. No início do século XX, todos os templos não católicos tinham liberdade para praticar os seus cultos, mas não podiam ter fachada para a rua. Assim, a sinagoga, na Rua Alexandre Herculano, passa bastante despercebida. Os espaços, os rituais,as letras e os números, tudo é diferente e, para mim, interessante.
Um dos organizadores da viagem deu-nos os horários de partidas e chegadas. Chegamos ao aeroporto Ben Gurion, em Telavive, cerca da meia-noite. Um autocarro vem buscar-nos, para nos transportar ao hotel, em Jerusalém.
"No dia seguinte, o mesmo autocarro vai buscar-vos ao Hotel e leva-vos ao Yad Vashem, para começar o curso. O autocarro parte às 8h 30m; não se atrasem, que o autocarro não espera", avisa o organizador.
Preocupo-me com a hora da chegada ao Hotel, no primeiro dia. Parece-me um horário muito apertado, muito cansativo.
"E se há um atraso no aeroporto, ou no autocarro?"
"Não há atrasos. Estamos em Israel."
Hum! Onde está o mundo a que eu estou habituada, o mundo contra o qual protesto mas a que já me acostumei, o mundo do pouco mais ou menos, do "cerca das dez horas" na certeza de que será às dez e meia, o mundo da flexibilidade e da aproximação? Desconfio que vou entrar mesmo noutro mundo, um mundo de rigor e horários precisos, mais eficiente, mas muito menos mediterrânico!