Mensagens

O Castelo de Hartheim

Imagem
O castelo de Hartheim é um belo edifício renascentista, pertencente até ao século XIX a uma nobre família austríaca. Tem um harmonioso pátio interior, à italiana, rodeado de colunas que se replicam nos seus três andares, e umas torres imponentes. 



Em 1898, o aristocrata doou o castelo a uma associação caritativa cristã, para servir de acolhimento a "débeis e cretinos", como reza a inscrição colocada na entrada. E assim aconteceu, até 1939.



Em 1938, o Reich Alemão anexa a Áustria e toma posse de todas as propriedades. O castelo vai continuar aparentemente igual mas, na realidade, vai servir como um dos seis centros de eutanásia implementados pelos nazis para purificar a raça ariana, expurgando-a dos "inúteis e incapazes".Ali serão mortos, por monóxido de carbono, milhares de crianças e adultos com deficiências mentais ou físicas, num processo que só parou em 1941, graças à dura oposição da Igreja Católica. Mas o castelo continuou com o seu desígnio de sofrimento e mor…

As minas de sal de Wieliczka

Imagem
Reza a lenda que uma princesa húngara, depois conhecida como Santa Cunegunda, teria pedido ao seu pai, como dote, esse bem precioso que se chama sal. Chegada à Polónia para o seu casamento com o rei da Polónia, mandou escavar um buraco num local a sul de Cracóvia e aí se encontrou um anel da princesa, junto a uma mina de sal. A realidade aponta a fundação da cidade para o longínquo ano de 1290, acompanhando o início da exploração das minas de sal mais antigas do mundo, ainda em funcionamento.



Ao longo dos séculos, foi crescendo uma rede de cerca de 300 quilómetros de túneis e escadas, com centenas de metros de profundidade. Apenas uma parte é visitável, mas desde sempre atraiu as atenções e as visitas turísticas. Dizem os guias que já Nicolau Copérnico visitou as minas, no século XV...



É interessante saber a história destas velhas minas, é claro, mas o que as torna verdadeiramente extraordinárias é o trabalho, fantástico e original, feito pelos mineiros, ao longo dos anos. Nas paredes d…

De mota pelos Alpes VII– Cruzando o Mediterrâneo

Imagem
Quando chegámos ao nosso hotel “La Bussola”, em Novara, sentimos que tinha alguma coisa diferente do habitual; por exemplo, as nossas motas ficaram a dormir na garagem, junto a alguns automóveis antigos. Mas só no dia seguinte, à hora do pequeno-almoço, pudemos explorar as peculiaridades da decoração daquele hotel. Espalhados por todos os andares, pendurados nas paredes ou colocados em cima de móveis ou mesinhas, viam-se as mais extraordinárias coleções de objetos variados: havia rádios antigos e velhas máquinas de escrever; relógios de mesa e de parede, de todos os tipos e feitios; panos pintados do oriente e tábuas esculpidas da América do sul; saleiros e campainhas de mesa; retratos e pinturas naturalistas do séc. XVIII e XIX; enfim, um conjunto imenso e heterogéneo de objetos, que olharíamos com naturalidade num museu, mas não esperamos encontrar nos patamares de um hotel. Afinal, a Diretora do hotel era uma colecionadora entusiasta, que partilhava algumas das suas coleções com os…

De mota pelos Alpes VI – E agora, os Alpes italianos

Imagem
Começamos mais um dia com a passagem de mais um passo alpino, o OffenPass, em pleno Parque Nacional Suiço. Estamos quase na fronteira da Suiça com a Itália e o tempo está nublado e húmido, o que nos faz temer pela passagem do Stelvio. Mas as nuvens vão abrindo e acabámos por ter um dia bastante claro e ameno.A primeira paragem foi no Mosteiro de Santa Maria de Val Müstair. É uma igreja muito antiga, fundada por Carlos Magno no século VIII, e é Património da Humanidade. No século XI tornou-se um convento, mas a igreja, dedicada a S. João Batista, ainda é a parte mais interessante do complexo monástico. Tem um conjunto impressionante de frescos românicos, representando vários temas bíblicos e uma estátua de Carlos Magno. Tenho pena de não ter uma máquina fotográfica mais potente, para captar bem a beleza daqueles frescos, tão antigos e ainda com uma cor e um dramatismo tão presentes.



Antes de atacarmos o Passo dello Stelvio, paramos em Glorenza, já em território italiano. É uma pequena v…

De mota pelos Alpes V – No país da Heidi

Imagem
Saímos logo pela manhã do nosso belo hotel de madeira escura com sardinheiras nas janelas. Dei uma voltinha pelas redondezas e percebi facilmente a razão de tudo parecer sempre tão bonito e perfeito: viam-se várias pessoas às janelas, retirando cuidadosamente as florinhas secas das frondosas sardinheiras! Mesmo em frente do hotel havia um fontanário e três homens tinham retirado e esfregavam vigorosamente as grades de metal que se apoiavam no fundo da fonte. Assim se consegue este aspeto sempre impecável! Um dos homens ainda nos tirou uma fotografia junto da fonte e seguimos viagem.

A primeira paragem é na famosa Teufelsbrücke, a Ponte do Diabo. É um estranho e intrincado cruzamento de pontes, no cantão de Uri: a ponte ferroviária, a nova ponte rodoviária e a velha ponte de pedra, que veio substituir a ponte ainda mais antiga, construída pelo diabo a troco da alma do primeiro que ali passasse. Já fiz aqui um post sobre este local, por isso não me vou alongar, mas dizer apenas que é um …