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Escapadela nórdica - Gotemburgo

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Hoje em dia, as companhias aéreas, mesmo as de low-cost, voam para imensos destinos europeus, permitindo-nos visitar com alguma facilidade, não só as capitais europeias, mas muitas outras cidades que, não sendo tão centrais, são igualmente interessantes. Vou tentar fazer alguns posts sobre essas cidades, que têm também muito que ver e apreciar. Gotemburgo é a segunda cidade mais importante da Suécia. Talvez não seja tão bela e imponente como Estocolmo mas dizem os locais que é mais agradável e amistosa. Situa-se na costa oeste da península escandinava, no estreito de Kattegat, com saída direta para o Mar do Norte. E parece que terá sido essa a razão para que o rei Gustavo Adolfo, no século XVII, tenha decidido aí construir um porto que rapidamente cresceu. 



Hoje, é o maior porto da Escandinávia, e, apesar de já ter perdido algumas das suas valências, ainda mostra as enormes estruturas onde se construiam ou reparavam os petroleiros e outros grandes navios, não há muito tempo atrás.



O loca…

Livros e Viagens - Todos os Caminhos estão Abertos

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Annemarie Schwarzenbach foi uma jovem, nascida na Suiça, que nos anos 30 fez uma coisa muito pouco comum: Meteu-se no carro que o pai lhe tinha oferecido e partiu, com uma amiga fotógrafa, para o Médio Oriente, passando mais de um ano no Afeganistão. Annemarie queria ser jornalista e escritora; e muitos dos textos que estão neste livro foram recolhidos de jornais e revistas onde ela publicou as suas impressões de viagem.  Essas impressões são interessantes, desde logo por ser a visão de uma mulher ocidental, livre de muitos preconceitos e estereótipos, sobre uma sociedade onde as mulheres não tinham, já naquela altura, visibilidade no espaço público. Há mesmo um capítulo intitulado "As mulheres de Cabul".

Foi em Cabul, no hospital dos homens, que conheci essa mulher. (...) Trazia um "tchadri", esse espesso véu cinzento que cobre a cabeça como um gorro e cai em longas pregas por cima dos ombros e até aos pés, dissimulando completamente a mulher afegã. (...) Porque tod…

O Castelo de Hartheim

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O castelo de Hartheim é um belo edifício renascentista, pertencente até ao século XIX a uma nobre família austríaca. Tem um harmonioso pátio interior, à italiana, rodeado de colunas que se replicam nos seus três andares, e umas torres imponentes. 



Em 1898, o aristocrata doou o castelo a uma associação caritativa cristã, para servir de acolhimento a "débeis e cretinos", como reza a inscrição colocada na entrada. E assim aconteceu, até 1939.



Em 1938, o Reich Alemão anexa a Áustria e toma posse de todas as propriedades. O castelo vai continuar aparentemente igual mas, na realidade, vai servir como um dos seis centros de eutanásia implementados pelos nazis para purificar a raça ariana, expurgando-a dos "inúteis e incapazes". Ali serão mortos, por monóxido de carbono, milhares de crianças e adultos com deficiências mentais ou físicas, num processo que só parou em 1941, graças à dura oposição da Igreja Católica. Mas o castelo continuou com o seu desígnio de sofrimento e mor…

As minas de sal de Wieliczka

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Reza a lenda que uma princesa húngara, depois conhecida como Santa Cunegunda, teria pedido ao seu pai, como dote, esse bem precioso que se chama sal. Chegada à Polónia para o seu casamento com o rei da Polónia, mandou escavar um buraco num local a sul de Cracóvia e aí se encontrou um anel da princesa, junto a uma mina de sal. A realidade aponta a fundação da cidade para o longínquo ano de 1290, acompanhando o início da exploração das minas de sal mais antigas do mundo, ainda em funcionamento.



Ao longo dos séculos, foi crescendo uma rede de cerca de 300 quilómetros de túneis e escadas, com centenas de metros de profundidade. Apenas uma parte é visitável, mas desde sempre atraiu as atenções e as visitas turísticas. Dizem os guias que já Nicolau Copérnico visitou as minas, no século XV...



É interessante saber a história destas velhas minas, é claro, mas o que as torna verdadeiramente extraordinárias é o trabalho, fantástico e original, feito pelos mineiros, ao longo dos anos. Nas paredes d…

De mota pelos Alpes VII– Cruzando o Mediterrâneo

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Quando chegámos ao nosso hotel “La Bussola”, em Novara, sentimos que tinha alguma coisa diferente do habitual; por exemplo, as nossas motas ficaram a dormir na garagem, junto a alguns automóveis antigos. Mas só no dia seguinte, à hora do pequeno-almoço, pudemos explorar as peculiaridades da decoração daquele hotel. Espalhados por todos os andares, pendurados nas paredes ou colocados em cima de móveis ou mesinhas, viam-se as mais extraordinárias coleções de objetos variados: havia rádios antigos e velhas máquinas de escrever; relógios de mesa e de parede, de todos os tipos e feitios; panos pintados do oriente e tábuas esculpidas da América do sul; saleiros e campainhas de mesa; retratos e pinturas naturalistas do séc. XVIII e XIX; enfim, um conjunto imenso e heterogéneo de objetos, que olharíamos com naturalidade num museu, mas não esperamos encontrar nos patamares de um hotel. Afinal, a Diretora do hotel era uma colecionadora entusiasta, que partilhava algumas das suas coleções com os…

De mota pelos Alpes VI – E agora, os Alpes italianos

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Começamos mais um dia com a passagem de mais um passo alpino, o OffenPass, em pleno Parque Nacional Suiço. Estamos quase na fronteira da Suiça com a Itália e o tempo está nublado e húmido, o que nos faz temer pela passagem do Stelvio. Mas as nuvens vão abrindo e acabámos por ter um dia bastante claro e ameno. A primeira paragem foi no Mosteiro de Santa Maria de Val Müstair. É uma igreja muito antiga, fundada por Carlos Magno no século VIII, e é Património da Humanidade. No século XI tornou-se um convento, mas a igreja, dedicada a S. João Batista, ainda é a parte mais interessante do complexo monástico. Tem um conjunto impressionante de frescos românicos, representando vários temas bíblicos e uma estátua de Carlos Magno. Tenho pena de não ter uma máquina fotográfica mais potente, para captar bem a beleza daqueles frescos, tão antigos e ainda com uma cor e um dramatismo tão presentes.



Antes de atacarmos o Passo dello Stelvio, paramos em Glorenza, já em território italiano. É uma pequena v…