Livros e Viagens - Mar Sem Fim



Aqui há dias, uma amiga fez uma citação deste livro no Facebook e eu não resisti: fui à estante e reli algumas páginas, ao acaso, deste livro de Amyr Klink. Este livro, cujo título completo é Mar sem Fim, 360º ao redor da Antártica, foi-me oferecido por uma querida amiga do Brasil e é um bom exemplo dessa estreita relação luso-brasileira, tecida pela língua. O livro relata a viagem de Amyr Klink, brasileiro de São Paulo, a bordo do seu navio Paratii, em redor da chamada Convergência Antártica. No entanto, abre com uma citação de Fernando Pessoa:


E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano;
O mar sem fim é português.
          (Mensagem)


O mar sem fim de Amyr Klink foi uma viagem em redor da Convergência Antártica, a única rota de circumnavegação do mundo que, sem se afastar de um paralelo, consegue fazer todo o percurso apenas por mar, sem nunca tocar terra. Era o projeto de volta ao mundo mais curta mas mais difícil, já muitas vezes tentada mas nunca conseguida. Amyr foi o primeiro a consegui-lo.
Foram 141 dias de luta, enfrentando mares e ventos violentos, dificuldades técnicas, mas também a solidão. Sozinho no seu barco, Amyr dá-nos conta da sua rotina, que não lhe permitia dormir mais de cinco horas sem interrupção, mas também das suas dificuldades, dos seus sentimentos, das paisagens fantásticas que ia encontrando. Sucedem-se as tempestades e os encantamentos. Pessoas, poucas, quase só em contactos de rádio ou em recordações; muito mais pinguins e albatrozes! Algumas escalas em ilhas, nem sempre muito recomendáveis! E, por fim, a chegada. O reencontro com a família, a alegria do objetivo cumprido. E o balanço de um tempo único e inesquecível:

"No porto de antes, apreensivo, eu tentava imaginar as dificuldades e lutas futuras. No de agora, dono do tempo que eu conquistara, simplesmente admirava o que estava ao redor e desfrutava do que estava feito. Não era a sensação de uma batalha ganha, de uma luta em que os obstáculos foram cumpridos. Muito mais do que isso, era o prazer interior de ter realizado algo que tanto desejei, de ter feito e visto o que fiz e vi. O profundo prazer de poder resumir minha maior viagem num simples círculo sobre papel... Não fossem os dedos, passaria uma eternidade sentado ali feito uma lavadeira de rio, ouvindo os sons da ilha, admirando a imagem do barco vermelho e branco que eu trouxera de volta. Ou melhor, que me trouxera de volta."
                                Amyr Klink , Mar Sem Fim, 360º ao redor da Antártica

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