Escapadela nórdica - Gotemburgo

Prometeu descendo para um canal...

Hoje em dia, as companhias aéreas, mesmo as de low-cost, voam para imensos destinos europeus, permitindo-nos visitar com alguma facilidade, não só as capitais europeias, mas muitas outras cidades que, não sendo tão centrais, são igualmente interessantes. Vou tentar fazer alguns posts sobre essas cidades, que têm também muito que ver e apreciar.
Gotemburgo é a segunda cidade mais importante da Suécia. Talvez não seja tão bela e imponente como Estocolmo mas dizem os locais que é mais agradável e amistosa. Situa-se na costa oeste da península escandinava, no estreito de Kattegat, com saída direta para o Mar do Norte. E parece que terá sido essa a razão para que o rei Gustavo Adolfo, no século XVII, tenha decidido aí construir um porto que rapidamente cresceu. 


Estátua de Gustavo Adolfo, o rei fundador da cidade

Hoje, é o maior porto da Escandinávia, e, apesar de já ter perdido algumas das suas valências, ainda mostra as enormes estruturas onde se construiam ou reparavam os petroleiros e outros grandes navios, não há muito tempo atrás.


No porto de Gotemburgo...

O local escolhido pelo rei era pantanoso e foi necessário drenar o terreno antes de começar a construir. E o rei, inteligentemente, contratou holandeses para secarem e prepararem a terra. Talvez por isso, o centro de Gotemburgo é cortado por inúmeros canais, fazendo lembrar Amesterdão. Hoje, os canais acompanham ruas e jardins e até os últimos vestígios da antiga muralha defensiva da cidade, em forma de estrela, como era uso no século XVII.


Os jardins que rodeiam os canais
Os canais passam pelo centro da cidade

No século XVIII, para prevenir os incêndios, foi proibida a construção de casas em madeira dentro da muralha. Os mais pobres, que para tal não tinham dinheiro, foram construir as suas casas de madeira fora das muralhas, em Haga, um bairro que hoje está na moda e onde se situam os restaurantes e lojas mais jovens e alternativos da cidade.


Há zonas jovens e alternativas

Perto de Haga, numa pequena elevação, encontra-se uma Torre da antiga estrutura defensiva, a Skansen Kronan, contruída em 1697. Está muito bem preservada e daí tem-se uma bela perspetiva da cidade de Gotemburgo.


A Skansen Kronan
Gotemburgo vista da Skansen Kronen

O centro da cidade está cheio de casas do século XIX e junto ao porto há grandes construções, num estilo modernista, que albergam a nova Ópera, a Universidade ou a sede da Volvo... 


A fonte dos cinco continentes
O Museu da Cidade
A nova Ópera

Mas o meu edifício predileto é o antigo Mercado do Peixe, o Feskekôrka, com o seu aspeto de igreja antiga. Mantém as suas funções de mercado, e ali é o sítio ideal para comprar camarões ou arenque fresco ou salgado, embora também tenha uma zona de restauração no interior.


O Feskekôrka
Homenagem aos pescadores junto ao Mercado do Peixe

Pelo que pude perceber, a vida cultural da cidade é muito ativa. Tem várias salas de concerto, teatros e museus. Não havendo tempo para meter o nariz em tudo, visitei apenas o Museu de Arte de Gotemburgo e foi uma excelente escolha. O Museu tem uma respeitável coleção, com particular presença de autores nórdicos que não são tão conhecidos, mas que são também muito interessantes.


O Museu de Arte de Gotemburgo
Runner, de Tony Cragg

A forma ideal de conhecer uma cidade é a pé, evidentemente. Mas, para quem não for tão corajoso, há um cartão de transporte para 3 dias, o Goteborg City Card, que permite usar os autocarros, carros elétricos e os barcos que fazem a ligação entre a cidade e as ilhas mais próximas. É uma boa opção, que fica muito económica. Imperdível, mesmo, é o passeio de barco pelos canais. Não está coberto pelo City Card, mas vale bem o preço. Cuidado ao passar debaixo de algumas pontes: são tão baixinhas que o passeio pode ser mesmo de perder a cabeça!



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