De mota pelos Pirinéus VII - O misterioso Mosteiro de San Juan de la Peña


À descoberta do monasterio...
Começamos a sair do Maciço Central dos Pirinéus e a descer pelo chamado Pirineo Aragonês. É aqui, no meio da paisagem protegida do Monte Oroel, que encontramos um dos locais mais estranhos e fascinantes da nossa viagem: o Monasterio de San Juan de la Peña.


O Monasterio de San Juan de la Peña, debaixo da sua enorme pedra
Conta a lenda que um jovem caçador, Voto, em perseguição de um cervo, teria caído de um destes penhascos, ou penhas, e teria encontrado numa cova o cadáver de um ermitão, Juan de Atarès. Impressionado, vendeu todos os seus bens e recolheu-se com o seu irmão Felix no mesmo local, criando aí uma ermida, que está na origem do mosteiro.


Vista da penha que cobre o mosteiro
Estavamos no século VIII, e conta também a lenda que aqui se teriam reunido os companheiros de Garci Ximenez, o primeiro vencedor, nesta zona, dos sarracenos que ocupavam a Península Ibérica. Vem daqui a ligação dos primeiros reis de Aragão a este mosteiro, onde estão enterrados.
O mosteiro vai sendo construído e ampliado, entre os séculos XI e XIII. Ainda se podem visitar várias salas, dormitórios, refeitório, capelas. A vida no mosteiro era austera, como a paisagem que o rodeava.

A paisagem circundante
As salas, de tetos altos e grossas paredes de pedra, ajudam-nos a reviver o dia a dia dos monges, nessa época remota. Os que pretendiam ser admitidos tinham de ficar cinco dias à porta, sem comer, e passar depois o primeiro ano em absoluto silêncio. Vidas de eremitas...


As capelas
O claustro é exterior ao edifício principal e situa-se debaixo da enorme penha que dá nome ao local. É de uma beleza e originalidade ímpar.


O invulgar claustro exterior
Os capitéis ilustram cenas da Bíblia, com uma mestria e um naturalismo invulgares na época.


Um dos capitéis, com a cena da última ceia de Cristo
Mas os tempos mudam e as exigências de conforto também. É assim que, no século XVII, na sequência de um grande incêndio, se decidiu construir um novo mosteiro, num local próximo mas mais acessível. Talvez o velho ermitão Juan de Atarès não tenha gostado de ser abandonado. Várias vicissitudes fazem com que o novo mosteiro nunca seja terminado. Hoje, completamente reabilitado, ressurgiu como uma Hospedaria com quatro estrelas!
Curiosidade: também conta a lenda que o mosteiro teria guardado o Santo Graal, entre os séculos XI e XIV. Ainda lá se pode ver uma suposta réplica do verdadeiro cálice.


A réplica do Santo Graal
Ainda repletos desta beleza austera e de espírito monástico, continuamos o nosso caminho à procura de um local para almoçar. O salto para o século XXI não podia ser mais brusco. Acabamos por almoçar com um grupo de motards da Catalunha, num camping para amantes dos ditos motociclos. Falam-nos dos Mallos de Riglos, as espetaculares portas dos Pirinéus, com as suas protegidas colónias de abutres. As portas servem para entrar, no nosso caso servirão para sairmos dos Pirinéus. Já com saudades!


A primeira visão dos Mallos de Riglos
Não estavamos preparados para a visão, quase súbita, daquelas enormes formações de pedra. Erguem-se realmente como portas de entrada para um mundo mágico e fantástico!
Ali se praticam vários desportos de aventura, como escalada ou simples caminhadas. O Trail Mallos de Riglos, uma prova de trail running, realiza-se no próximo mês de maio. Se alguém estiver interessado, talvez ainda vá a tempo de fazer a sua inscrição...


Os grandiosos Mallos de Riglos, vistos de frente

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