segunda-feira, 11 de maio de 2015

O Festival da Máscara Ibérica




Às vezes, não é preciso sair para explorar o mundo, porque o mundo vem ter connosco. Foi o que aconteceu este fim de semana em Lisboa, com o Festival Internacional da Máscara Ibérica. Durante toda a tarde de sábado, a Baixa da cidade foi invadida por criaturas estranhas e coloridas, provenientes de vilas e aldeias do norte de Portugal e de Espanha. Mas isto não é um Carnaval, embora muitas das festas que aqui foram invocadas aconteçam na mesma época. O que aqui temos são tradições milenares, ligadas a cultos de sociedadas agro-pastoris.
Eram sociedades que sobreviviam num ambiente hostil, em que a natureza era por vezes inclemente e cruel. Era preciso aplacar as forças da natureza, dominá-las através do mimetismo e da brincadeira, dominar assim os nossos próprios medos,tão humanos.


Estas festas e tradições aconteciam no final do inverno ou início da primavera, quando a natureza se renova, Os homens assumem as formas da natureza que os domina durante o ano inteiro. Surgem os ursos e os veados, os cornos e as patas de carneiros. Há homens cobertos de folhas e de musgo, de palha, disfarçados de árvores. Invoca-se a morte para celebrar a vida.  É toda a natureza que desfila à nossa beira.
Mas o início da primavera também é a época do acasalamento. Os rapazes fazem as suas brincadeiras, demonstrando força e destreza. Perseguem as raparigas; faz parte do jogo. É uma época de excessos, em que quase tudo é permitido. 
Neste sábado, essas forças milenares que opõem o homem à natureza, da qual é dependente, ocuparam a Baixa de Lisboa. Foi uma explosão de cores, de cheiros, de sons. A música das pandeiretas, das gaitas de foles, dos tambores, invadiu as ruas. E sempre, a dar-lhe o tom e o ritmo, o som dos chocalhos. Presos à cintura, nos pés, pendurados no pescoço, lembram-nos constantemente os rebanhos, riquezas maiores dessas antigas comunidades.
Foi um mergulho no tempo e num mundo que teima em persistir. E foi muito bonito...


Fotos retiradas do site da organização do FIMI - Festival Internacional da Máscara Ibérica

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Para Comer - O Carrossel


De vez em quando, há um restaurante que nos tira do sério, pela qualidade dos pratos, pela simpatia, pelo inesperado... Foi exatamente o que aconteceu com o Restaurante Carrossel, em Cova - Gala, perto da Figueira da Foz, do outro lado do Mondego.

Se não fossemos avisados, nada nos faria entrar ali. O aspeto exterior é absolutamente comum. Mas é um engano, já que nada lá dentro é comum, pelo contrário. 
O dono desvendou-nos um pouco da história do Carrossel, um pequeno restaurante que ganhou fama com os desvelos culinários da mãe, que sabia como ninguém preparar e cozinhar o que o pai, pescador, trazia do mar. E assim nos são apresentados esses pratos, frutos de uma sabedoria antiga. Alguns têm nomes compreensíveis, como Búzios de Feijoada, ou Arroz Marinheiro. Mas depois há outros pratos na ementa, com nomes que precisam de explicação, e que nos remetem para o linguajar popular dos pescadores e das gentes que por aqui viviam. São as Gatas de Pitáu, os Samos Marisqueiros, a Chora de Línguas. Não, não vou dar explicações, há que ir lá para perceber e experimentar. Há receitas centenárias, outras apenas pitorescas. Todas deliciosas. 
O restaurante não é grande, mas o passa-palavra da qualidade do que ali se come torna-o muito visitado, por isso será mais seguro fazer uma marcação prévia. Deixo a ligação para os mais curiosos.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Os Prémios Nobel





O retrato de Nobel à entrada do Museu

Todos conhecemos, com maior ou menor profundidade, o nome de Alfred Nobel. Foi um químico e inventor sueco, nascido em Estocolmo em 1883. Faz por isso todo o sentido que o museu que imortaliza a sua vida e a sua fundação se situe no coração de Estocolmo, no edifício da Bolsa de Estocolmo, numa sossegada praça da zona velha da cidade, a Gamla Stan. 
O museu foi fundado em 2001 e homenageia tanto o engenheiro Nobel, como os que foram homenageados com o prémio que ostenta o seu nome. Mas, para percebermos a sua importância, temos de saber um pouco da sua história.
Alfred Nobel nasceu na Suécia mas não teve uma infância fácil e acabou por estudar em São Petersburgo e viajar pela França, Alemanha e Estados Unidos. Foi em Paris que conheceu o inventor da nitroglicerina, um produto que o interessou pelas potencialidades que tinha para a engenharia civil, na abertura de túneis e fundações. Daqui à invenção da dinamite foi um passo, embora um passo cheio de perigos e acidentes. Dos laboratórios da sua fábrica sairam outros inventos importantes, como a borracha sintética, mas é a dinamite que o torna famoso e rico, embora as suas utilizações tenham ido muito além da engenharia.
Quando morreu, em 1896, deixou em testamento a sua vontade de criar uma fundação que, anualmente, premiasse pessoas que tivessem contribuído para o desenvolvimento da Humanidade. Assim nasceu a Fundação Nobel que, a partir de 1900, começou a atribuir prémios em cinco áreas: Química, Física, Medicina e Literatura (escolhidos por especialistas da Academia Real das Ciências da Suécia) e a Paz Mundial (atribuído por uma comissão do parlamento norueguês). A estes, juntou-se mais tarde o prémio da Economia, mas este já não é financiado pela Fundação Nobel.


A exposição que mostra os laureados, através do século XX
O Museu Nobel tem uma exposição permanente chamada, muito justamente, Culturas de Criatividade, que mostra a vida de Nobel e de muitos dos laureados com o seu prémio, pondo a nota na persistência e na coragem de pensar de forma diferente. Aqui se mostram, década a década, os que tiveram essa coragem e os resultados pelos quais foram agraciados.



A Sala do Jantar de Gala, em preparação
Uma vez por ano, são divulgados os nomes dos laureados com este que é hoje, provavelmente, o mais prestigiado prémio. A cerimónia é cuidadosamente preparada e os que trabalharam em prol da humanidade, como pretendia Nobel, recebem o prémio pecuniário e o seu reconhecimento mundial num jantar de gala, que decorre na grande sala central da Câmara Municipal de Estocolmo. Quando lá estive, em dezembro de 2013, já se preparava a sala para o jantar de gala que se realizaria na semana seguinte. E, numa sala à parte, faziam-se os arranjos florais com centenas de flores enviadas de Sanremo especialmente para a cerimónia. Foi em Sanremo que Alfred Nobel viveu os seus últimos anos e morreu, e é daí que vêm todos os anos as flores que embelezam as salas para a atribuição dos Prémios Nobel. É uma homenagem que a cidade italiana lhe quer ainda prestar, anualmente.


As floristas de Sanremo arranjam as flores para a cerimónia de entrega dos
Prémios Nobel

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O hotel de luxo voador




Tem uns milhares de euros disponíveis? Quer dar uma volta ao mundo sem ter o trabalho de marcar hotéis? Gosta mesmo é de voar de um lado para o outro? Então, a nova proposta da cadeia de hotéis Four Seasons é mesmo para si: voar num Boeing 757 transformado num hotel de luxo.
Os hóspedes deste hotel voador terão um chef para lhes preparar as refeições durante os dezasseis dias da viagem, que passará por Seattle, nos EUA, Japão, Maldivas, China, Tanzânia, Turquia, Rússia, Marrocos e Nova Iorque, novamente nos EUA. Terão, além disso, direito a todos os luxos a que possam almejar, desde champagne e caviar até ipads para utilizarem durante o voo.
Interessados? O hotel levanta voo já a 16 de agosto e a viagem custa apenas cerca de 110 mil euros. Uma ninharia, certo? 
Mais informações no site Four Seasons Private Jet Experience.



sexta-feira, 1 de maio de 2015

Roteiro de banda desenhada nas ruas de Bruxelas


Bruxelas, capital mundial dos quadrinhos (foto: Vist Brussels/Divulgação)
Todos sabemos que a banda desenhada não nasceu na Bélgica. Mas também é verdade que, hoje, a Bélgica é considerada a capital da banda desenhada. Muitos dos grandes criadores de BD aí viveram e publicaram os seus livros. É em Bruxelas que se realiza um dos maiores festivais daquela que é hoje considerada a Nona Arte. 

Cartaz do Festival de Banda Desenhada na Place Royale
Lá se reunem muitas dezenas de autores, expõem-se últimas obras, assinam-se livros a compradores e colecionadores. É uma festa anual, de ambiente descontraído e simpático, tal como o ambiente da própria banda desenhada.


Confraternizando com as personagens do Festival de BD
É também em Bruxelas que se situa o MOOF, um espaço museológico onde se podem encontrar mais de mil objetos ligados ao universo da banda desenhada. Aí se encontra também o Comics Café, um bar e restaurante que, para além de um cenário que recria o ambiente das histórias aos quadradinhos, integra a maior livraria sobre o mesmo tema. Bruxelas abriga ainda o Belgium Comic Strip Centre, onde se pode seguir a história dos quadradinhos, considerado como a Meca dos apreciadores da arte.

O Ford de Tintin no Congo e o carro original
Bruxelas assume esta ligação à BD, de tal forma que muitas ruas têm três nomes: um em francês, um em valão (as duas línguas oficiais belgas) e um ligado ao universo das histórias em quadradinhos. 

A múltipla toponímia das ruas de Bruxelas
As histórias aos quadradinhos estão presentes por todo o lado, quebrando a monocromia escura da cidade, em painéis que alegram os muros e as empenas dos prédios. 

Tintin e o Capitão Haddock descem uma empena
Fotografei alguns, em setembro de 2013. Agora, o turismo de Bruxelas publicou um roteiro para descobrir e apreciar esses painéis de banda desenhada espalhados pela cidade. Pode ser levantado no espaço do Turismo de Bruxelas, que se situa na Grand'Place, e enumera nada menos de 54!
Tantos que me falta ver ainda!

Mais um painel de BD, na Avenue do Gros Tilleul

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Google na linha do Douro

Até agora, a Google Street Views ainda só tinha feito esta experiência nas espetaculares linhas férreas suiças, que cruzam os Alpes proporcionando paisagens fantásticas. Mas agora está prevista a filmagem de algumas viagens em linhas férreas portuguesas, que não são menos fantásticas. A primeira vai ser a Linha do Douro, mas prevê-se que se sigam outras, como a Linha de Cascais. Mais informações disponíveis aqui.
O projeto está a decorrer por estes dias: serão treze dias de viagem, a 30 quilómetros por hora, para que as imagens resultem perfeitas. No entanto, só daqui a cerca de três meses as imagens estarão disponíveis online, porque é necessário editar as imagens, apagando rostos, por exemplo.
Poder ver as paisagens circundantes, mas também as linhas, os túneis, como se estivessemos na cabina do maquinista, ao lado dele... Acho uma excelente ideia! Isto é que são, verdadeiramente, olhares viajantes...

Linha do Douro (flickr)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Pela Costa Vicentina II

Zambujeira do Mar
Começamos o nosso segundo dia de exploração da Costa Vicentina na Zambujeira do Mar, onde pernoitámos. Gosto muito da Zambujeira, já por lá andei várias vezes, é uma vila muito simpática debruçada sobre uma praia esplêndida! É uma praia boa para famílias com crianças, tem bons acessos e a praia é protegida por formações rochosas que quebram o ímpeto do mar e a tornam bastante segura.
Nessa manhã clara de começo de primavera, o ar estava muito limpo e fresco e o azul era tão brilhante que nos enchia os olhos de água. Afastamo-nos da Zambujeira do Mar pela estrada da costa, debruada de mimosas amarelas.

Ninhos de cegonhas no Cabo Sardão
A próxima paragem é o Cabo Sardão, um dos sítios mais extraordinários daquela costa. Havia vários grupos de turistas, extasiados, de máquina fotográfica em punho. Quando chegámos, uma delas veio chamar-nos a atenção para os ninhos de cegonhas, alcandorados nos penhascos mais inacessíveis junto ao mar. E exclamava "Amazing! Wonderful!" Maravilhoso, mesmo!
Para norte do Cabo Sardão, a costa muda, torna-se menos escarpada e as praias tornam-se mais acessíveis, como a praia de Almograve.

Praia de Almograve
Vila Nova de Milfontes é uma espécie de princesa do litoral alentejano. É a vila mais turística, com muita oferta hoteleira e de restauração. No entanto, e apesar da pressão do turismo de massas, ainda preserva muitos recantos pitorescos. A foz do rio Mira abre uma baía extensa, com várias praias agradáveis, tanto para norte como para sul. 

Vila Nova de Milfontes
Seguimos para Porto Covo, com paragem na Ilha do Pessegueiro. É um local muito interessante, cheio de histórias e mistérios. Perto do forte seiscentista que guarda a costa, olho para a ilha e imagino o mar a bater no pequeno forte que ainda lá está, em ruínas, e quase oiço os tiros que se cruzavam enquanto os navios atacantes se escondiam atrás das suas rochas. Parece que houve um projeto para construir um molhe que ligasse a ilha à costa, mas a fúria do mar de inverno frustrou o projeto.

Ilha do Pessegueiro
Continuando para norte, a paisagem da costa volta a mudar. O mar penetra na terra, em lagoas e línguas de mar. As margens são baixas, arenosas. A vegetação é mais esparsa, há pinheiros e mimosas. As praias reveem-se nas lagoas, da Sancha, de Santo André, de Melides.

Lagoa de Santo André
Tinhamos decidido subir toda a costa e, portanto, resolvemos rolar até à ponta de Tróia. Uma paragem na marina sabe sempre bem e é uma maneira simpática e gradual de regressar a um ambiente urbano e cosmopolita. A partir daí, fomos apanhar o ferry-boat. Sou uma apaixonada por viagens de barco e, embora seja um percurso pequeno, a minha paixão consola-se com a passagem do estuário do Sado. As motas têm prioridade, não há filas de espera, só o vento fresco na face e o sol morno do fim da tarde.

Marina de Tróia
Antes de terminar este roteiro pela costa vicentina, e porque a cultura dos sítios também passa pelo que se come, aqui ficam as anotações gastronómicas:
- Almoço de sábado no Restaurante A Casinha, em Sagres, onde comemos uns ovos com farinheira e um arroz de polvo de comer e chorar por mais.
- Jantar de sábado foi uma coisinha leve, uma feijoada de búzios num dos restaurantes da Zambujeira do Mar, junto da praia.
- Almoço de domingo foram só petiscos, numa esplanada frente à Lagoa de Santo André, rematados por uma bifana.
- Jantar de domingo em Setúbal, no Restaurante Baluarte. Choco frito, pois claro...


No ferry-boat
Peço desculpa pela falta de qualidade das fotografias, de que os sítios não têm qualquer responsabilidade. Só pretendem dar uma pálida ideia da beleza selvagem desta costa.