Plasencia é uma cidade antiga, fundada pelo rei Afonso VIII de Castela no ano de 1186, num local de passagem da antiga Rota da Prata romana. O objetivo do rei era fazer frente aos muçulmanos, a sul, e limitar o território do rei de Leão, a oeste.
É uma cidade pequena e tranquila, um pouco ofuscada pelas suas vizinhas Cáceres e Salamanca.
O chamado “casco antigo” aninha-se dentro de um anel de muralhas do século XII, de vez em quando interrompido por torres circulares. Várias portas e postigos fazem a passagem para o exterior das muralhas, onde hoje se desenvolve uma cidade mderna. Dessas portas,a mais bonita é sem dúvida a Porta de Trujillo, tanto pelo lado interior como pelo lado exterior.
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| As muralhas de Plasencia |
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| O lado interior da Porta de Trujillo |
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| O lado exterior da Porta de Trujillo com um troço das muralhas |
Dentro das muralhas, as pequenas ruas permanecem quase desertas durante as horas de calor inclemente. Mas à noite e durante a manhã, as pessoas circulam, trabalham, fazem compras, enchem as esplanadas. A Plaza Mayor é o centro da vida cultural e administrativa, tal como em todas as cidades espanholas. Aí se situa a Câmara Municipal, num bonito edifício do século XV. Na sua esquina, ergue-se uma torre no topo da qual se vê uma figura bem agarrada, que parece ter acabado de a escalar. É o Avô Mayorga, que toca o sino da torre todas as meias horas...
O conjunto arquitetónico e artístico mais relevante de Plasencia é a sua catedral. Ou, melhor dizendo, as suas catedrais... A catedral românica de Santa Maria liga-se à catedral gótica dedicada à Assunção aos Céus de Nossa Senhora. Pode dizer-se que as duas se completam, mas é uma ligação atabalhoada, quase poderia dizer atamancada... Valha-nos o extraordinário trabalho de escultura e entalhe do cadeiral do Coro da nova catedral, infelizmente impossível de fotografar.
Toda a zona antiga, dentro das muralhas, é pontuada por casas apalaçadas das grandes famílias nobres que dominaram a região, como os Monroy ou os Zuñiga.
É a esta família Zuñiga que se deve a construção do Convento de São Vicente Ferrer, hoje ocupado pelo Parador de Plasencia.
Estava-se no século XV, o século da unificação de Espanha, tanto no aspeto político como religioso. No final desse século, iria assistir-se à conversão forçada ou, em alternativa, à fuga dos mouriscos e à expulsão definitiva dos judeus. Por isso, ninguém se deve ter apiedado quando a sinagoga e o antigo bairro judeu foram destruídos para aí se construir o grande complexo monástico de São Vicente Ferrer. Caído em decadência depois da dissolução das ordens religiosas, o mosteiro foi comprado pelos Paradores de Espanha, foi recuperado e hoje constitui um espaço magnífico, que é possível visitar diariamente, numa visita guiada organizada pelo próprio Parador. A reconstituição e decoração são primorosas e, sempre que possível, tentaram manter as finalidades de utilização dos espaços, como é o caso do antigo Refeitório dos monges.
Os judeus expulsos também não esquecidos. Nas ruas da antiga judiaria, pequenos retângulos de pedra relembram os nomes dos antigos moradores daquelas casas.
Os judeus e os mouros constituiam uma parte importante da população e da vida económica da cidade. Eram comerciantes, artesãos, pequenos agricultores. Com a sua saída, a cidade entrou numa lenta decadência, muito visível na paragem dos trabalhos de construção da nova catedral, que continua mal unida à antiga catedral, como duas irmãs siamesas mal separadas.
Saindo da cidade pelo lado norte, avista-se o grande aqueduto medieval, com mais de cinquenta arcos, que abastecia de água a cidade. Alguns arcos foram destruídos durante a Guerra Civil, mas foram reconstruídos numa pedra mais clara, para que a memória não se perca.
Fora de Plasencia, acompanhando o fértil vale do Jerte, seguimos até ao Monasterio de Yuste, o local escolhido pelo Imperador Carlos V para passar os últimos tempos da sua vida. Inclui o mosteiro propriamente dito e a pequena casa palaciana construída para Carlos V.
O imperador preparou-se para a morte. Todos os dias ouvia a missa, por vezes a partir do seu leito, estrategicamente colocado de modo a ver o altar-mor da igreja. Distraía-se com o seu hobby predileto, a relojoaria. E mandou construir uma pequena cripta para si próprio, que nunca chegou a ocupar. O seu filho Filipe II levou-o para o Escorial, onde repousa até hoje, no meio de um luxo que talvez não estivesse nos seus desejos.




















