![]() |
| Um chá nas montanhas? |
A Geórgia é um país entalado entre montanhas, Grande Cáucaso,
Pequeno Cáucaso e mais umas quantas zonas montanhosas de que não apanhei o
nome. Isso não parece preocupar os georgianos; àparte uma certa instabilidade
atmosférica, a proximidade das montanhas dá-lhes uma sensação de segurança,
como se fossem uma proteção contra ataques de inimigos. Que no entanto
aconteceram, numerosas vezes!...
![]() |
| Uplistsikhe - há sempre rios apressados e montanhas no horizonte |
O Grande Cáucaso, no norte do país, é a cadeia montanhosa mais alta da Europa, com vários picos que se elevam acima dos 5000 metros. Os mais altos situam-se na Rússia, mas as montanhas georgianas são já dignas de respeito e de uma boa visita.

Os georgianos chamam a este pequeno lago nas montanhas o "Olho do Mundo"
Assim, saímos de Tbilisi em direção a norte, em direção às montanhas e ao nosso objetivo, o Monte Kazbeck. Mas havia tanta coisa interessante para fazer pelo caminho! A estrada para norte seguia a célebre Old Military Road (Velha Estrada Militar), construída pelos russos no século XIX, para facilitar a ocupação militar e a comunicação entre as zonas centrais da Geórgia e a Rússia. Hoje, é uma bela estrada, que se faz muito bem, mas a passagem daquelas altas montanhas era um obstáculo de monta e ainda hoje há zonas onde a condução é um autêntico desafio.

Para norte, pela Old Military Road
![]() |
| Zhingali |
Para norte de Tbilisi, os montes parecem atapetados de verde e sucedem-se suavemente. A primeira paragem é no Reservatório de Zhingali, situado no rio Aragvi, que abastece de água a capital do país. Temos sorte com o tempo, está sol e os azuis da água misturam-se com os verdes intensos das colinas. Mas ainda temos muita estrada pela frente...

Os típicos barretes de pele vendem-se em todas as paragens
Um pouco mais para norte, o mesmo reservatório de água chega
aos contrafortes de Ananuri, um dos locais mais deslumbrantes da nossa viagem.
Ananuri é parte de um complexo que foi sede dos Eristavis de Aragvi, uma
dinastia feudal que governou a região a partir de meados do século XIII. As
muralhas da fortaleza encerram uma igreja e espaços para os monges, mas tudo é
tão estreito que mal se conseguem fotografar os detalhes delicados que enfeitam
as paredes e servem de ensinamento aos fiéis. Mas calculo que, no século XIII,
não estivessem preocupados com isso.
Aqui, há muitos turistas, especialmente russos. Encontram-se
até motociclistas aventureiros, a caminho do Cazaquistão, Mongólia ou outros
destinos exóticos.

Dentro das muralhas de Ananuri
Seguimos caminho para Pasanauri, onde parámos para almoçar. O
restaurante não era memorável, mas o rio que corria, cheio de força, mesmo ao
lado, era-o com certeza. Tomámos café numa pequena roulote de beira de estrada,
onde a jovem que nos serviu os cafés nos serviu também a notícia da sua
gravidez recente, com uma felicidade tocante. Os georgianos ainda não estão
estragados pelo excesso de turismo e são naturalmente simpáticos e
hospitaleiros.
Começamos a entrar nas estradas de montanha, mais estreitas e
sinuosas. Parámos para fazer uma degustação de mel (acompanhado de chacha, como
não podia deixar de ser...), o mel clarinho das flores de acácia, o mel escuro
da urze, o mel apaladado dos frutos do bosque...
Finalmente, Gudauri! Hoje é uma uma estância de ski sem nada de relevante, mas aí perto
ergue-se o Monumento à Amizade Russo-Georgiana, construído pela Rússia em 1983,
quando a Geórgia era uma república soviética. É um balcão espetacular sobre o Monte Kazbek e
outros picos da cordilheira caucasiana, que ali chega a ultrapassar os 5 mil
metros. O próprio monumento está a 2 400 metros de altitude.
O que faz este velho Lada, dos tempos soviéticos, junto à venda de mel?

O Monumento à Amizade Russo-Georgiana 
A face interna está ocupada por um imenso mural
A nossa guia, Anna, descodificou muito bem toda a iconografia do mural que ocupa a face interna do monumento, da parte russa à parte georgiana, com a Mãe Rússia no centro. Hoje, a amizade acabou, não é mais do que uma miragem, mas as vistas das arcadas são absolutamente maravilhosas, de tirar a respiração.

Um balcão sobre o Monte Kazbek
A caminho de Kazbegi, a última etapa do nosso passeio pelo Cáucaso. O nome verdadeiro de Kazbegi (pequena localidade a poucos quilómetros da fronteira russa) é Stepantsminda, mas todos a conhecem como Kazbegi devido à proximidade do Monte Kazbek, de incrível beleza natural. A pequena vila de Kazbegi não tem nada para ver, mas os arredores são de uma beleza selvagem, magnífica. Deixamos aí a nossa carrinha e metemo-nos num veículo todo o terreno para subir até à pequena igreja da Santíssima Trindade de Gergeti, construída no século XIV. Aí, a mais de 2100 metros, podemos olhar o Monte Kazbek quase de olhos nos olhos, e a nossa sensação de insignificância torna-se mais real. O tempo começava a piorar, chuviscava e acho que não apreciei a pequena igreja como ela merecia...
![]() |
| A pequena igreja da Santíssima Trindade de Gergeti, no alto da montanha |
As estradas nas montanhas estavam em mau estado, cheias de
buracos, e necessitavam de uma perícia e uma paciência imensas. Regressámos a
Tbilisi bastante moídos, mas com a alma cheia.




























































