sexta-feira, 24 de julho de 2026

Um passeio pelo Cáucaso

 

Um chá nas montanhas?

A Geórgia é um país entalado entre montanhas, Grande Cáucaso, Pequeno Cáucaso e mais umas quantas zonas montanhosas de que não apanhei o nome. Isso não parece preocupar os georgianos; àparte uma certa instabilidade atmosférica, a proximidade das montanhas dá-lhes uma sensação de segurança, como se fossem uma proteção contra ataques de inimigos. Que no entanto aconteceram, numerosas vezes!...

Uplistsikhe - há sempre rios apressados e montanhas no horizonte

O Grande Cáucaso, no norte do país, é a cadeia montanhosa mais alta da Europa, com vários picos que se elevam acima dos 5000 metros. Os mais altos situam-se na Rússia, mas as montanhas georgianas são já dignas de respeito e de uma boa visita.

Os georgianos chamam a este pequeno lago nas montanhas o "Olho do Mundo"

Assim, saímos de Tbilisi em direção a norte, em direção às montanhas e ao nosso objetivo, o Monte Kazbeck. Mas havia tanta coisa interessante para fazer pelo caminho! A estrada para norte seguia a célebre Old Military Road (Velha Estrada Militar), construída pelos russos no século XIX, para facilitar a ocupação militar e a comunicação entre as zonas centrais da Geórgia e a Rússia. Hoje, é uma bela estrada, que se faz muito bem, mas a passagem daquelas altas montanhas era um obstáculo de monta e ainda hoje há zonas onde a condução é um autêntico desafio.

Para norte, pela Old Military Road


Zhingali

Para norte de Tbilisi, os montes parecem atapetados de verde e sucedem-se suavemente. A primeira paragem é no Reservatório de Zhingali, situado no rio Aragvi,  que abastece de água a capital do país. Temos sorte com o tempo, está sol e os azuis da água misturam-se com os verdes intensos das colinas. Mas ainda temos muita estrada pela frente...


Os típicos barretes de pele vendem-se em todas as paragens

O complexo de Ananuri

Um pouco mais para norte, o mesmo reservatório de água chega aos contrafortes de Ananuri, um dos locais mais deslumbrantes da nossa viagem. Ananuri é parte de um complexo que foi sede dos Eristavis de Aragvi, uma dinastia feudal que governou a região a partir de meados do século XIII. As muralhas da fortaleza encerram uma igreja e espaços para os monges, mas tudo é tão estreito que mal se conseguem fotografar os detalhes delicados que enfeitam as paredes e servem de ensinamento aos fiéis. Mas calculo que, no século XIII, não estivessem preocupados com isso.

As muralhas de Ananuri

Detalhes...



Aqui, há muitos turistas, especialmente russos. Encontram-se até motociclistas aventureiros, a caminho do Cazaquistão, Mongólia ou outros destinos exóticos.

Dentro das muralhas de Ananuri

Seguimos caminho para Pasanauri, onde parámos para almoçar. O restaurante não era memorável, mas o rio que corria, cheio de força, mesmo ao lado, era-o com certeza. Tomámos café numa pequena roulote de beira de estrada, onde a jovem que nos serviu os cafés nos serviu também a notícia da sua gravidez recente, com uma felicidade tocante. Os georgianos ainda não estão estragados pelo excesso de turismo e são naturalmente simpáticos e hospitaleiros.

Um cafezinho nas montanhas

Começamos a entrar nas estradas de montanha, mais estreitas e sinuosas. Parámos para fazer uma degustação de mel (acompanhado de chacha, como não podia deixar de ser...), o mel clarinho das flores de acácia, o mel escuro da urze, o mel apaladado dos frutos do bosque...

O que faz este velho Lada, dos tempos soviéticos, junto à venda de mel?

Finalmente, Gudauri! Hoje é uma uma estância de ski sem nada de relevante, mas aí perto ergue-se o Monumento à Amizade Russo-Georgiana, construído pela Rússia em 1983, quando a Geórgia era uma república soviética.  É um balcão espetacular sobre o Monte Kazbek e outros picos da cordilheira caucasiana, que ali chega a ultrapassar os 5 mil metros. O próprio monumento está a 2 400 metros de altitude.

O Monumento à Amizade Russo-Georgiana

A face interna está ocupada por um imenso mural

A nossa guia, Anna, descodificou muito bem toda a iconografia do mural que ocupa a face interna do monumento, da parte russa à parte georgiana, com a Mãe Rússia no centro. Hoje, a amizade acabou, não é mais do que uma miragem, mas as vistas das arcadas são absolutamente maravilhosas, de tirar a respiração.


Um balcão sobre o Monte Kazbek

A caminho de Kazbegi, a última etapa do nosso passeio pelo Cáucaso. O nome verdadeiro de Kazbegi (pequena localidade a poucos quilómetros da fronteira russa) é Stepantsminda, mas todos a conhecem como Kazbegi devido à proximidade do Monte Kazbek, de incrível beleza natural. A pequena vila de Kazbegi não tem nada para ver, mas os arredores são de uma beleza selvagem, magnífica. Deixamos aí a nossa carrinha e metemo-nos num veículo todo o terreno para subir até à pequena igreja da Santíssima Trindade de Gergeti, construída no século XIV. Aí, a mais de 2100 metros, podemos olhar o Monte Kazbek quase de olhos nos olhos, e a nossa sensação de insignificância torna-se mais real. O tempo começava a piorar, chuviscava e acho que não apreciei a pequena igreja como ela merecia...


A pequena igreja da Santíssima Trindade de Gergeti, no alto da montanha

As estradas nas montanhas estavam em mau estado, cheias de buracos, e necessitavam de uma perícia e uma paciência imensas. Regressámos a Tbilisi bastante moídos, mas com a alma cheia.



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Olhares sobre Tbilisi

 

A Igreja Metecki, sobre o rio Mtkvari

Acho que me apaixonei por Tbilisi logo na noite da chegada, quando parei na Ponte Metecki e olhei em volta. Tinhamos acabado de chegar do aeroporto, uma viagem tranquila no táxi que tinhamos reservado. Depois das avenidas largas de ligação ao aeroporto, o trânsito dentro da cidade torna-se compacto e um tanto caótico. A zona velha da cidade tem aquele ar de confusão balcânica, com as ruas estreitas e pouco cuidadas, mas aí vão surgindo hotéis em espaços remodelados. O nosso é um desses hotéis, com umas varandas lindas! E o nosso quarto abre para uma dessas varandas, rendilhadas e fundas.

O bairro e a igreja de Metecki


O motorista do táxi assegurou-nos que a cidade era tranquila e segura e, embora já fossem quase 10h da noite, decidimos descer até ao centro da cidade. Caía uma chuvinha miúda e havia algum vento, por isso descemos com cuidado a rua íngreme, de paralelipípedos escorregadios. Quando comecei a atravessar a ponte, olhei à minha volta e senti-me no meio de um presépio. As casinhas subiam pelas encostas, com as suas varandas grandes e trabalhadas, como olhos brilhantes. Espalhadas pelas colinas, inúmeras igrejas iluminadas. No alto da falésia, a velha Igreja Metecki, guardada pelo rei Vaktang IV montado no seu cavalo. Na base da falésia, à beira do rio que corre rápido e caudaloso, duas capelas iluminadas deixam entrever o brilho dourado dos ícones. Quando olhei um pouco mais ao longo do rio, a Ponte da Paz brilhava também, com milhares de luzes led intermitentes. Mas, nessa altura, eu já estava apaixonada por Tbilisi.

A falésia sobre o rio, guardada pelo rei Vaktang IV


A Ponte da Paz

É preciso entender que Tbilisi tem uma implantação extremamente cenográfica. Foi construída no século IV para substituir a antiga capital do reino da Geórgia, a cidade de Mtskheta, situada uns quilómetros a norte, numa situação muito mais exposta a invasões e outros perigos. Hoje, Mtskheta é essencialmente o centro da vida religiosa do país. Reza a lenda que o rei Vaktang andava a caçar quando encontrou umas nascentes de águas sulfurosas, boas para a saúde, e aí mandou erguer a sua nova capital. As termas ainda lá estão, mas eu acho que o rei percebeu bem o valor da localização estratégica da nova cidade.

O rei Vaktang IV saúda a Mãe da Geórgia

As termas de águas sulfurosas

As casas equilibram-se na falésia

Tbilisi foi erguida nas margens do rio Kura (Mtkvari, na língua georgiana), e trepa pelas encostas ao longo de quilómetros. Então, as duas margens dialogam uma com a outra, de forma teatral. O rei Vaktang ergue a mão, parecendo saudar a enorme estátua da Mãe da Geórgia, que no topo da colina oposta continua a segurar numa mão um cacho de uvas, evidenciando a hospitalidade aos amigos, enquanto a outra mão brande  uma espada para atemorizar os inimigos. Ou talvez a Mãe da Geórgia guarde o Palácio Presidencial que domina outra das colinas...

A grande estátua da Mãe da Geórgia

O Palácio Presidencial, na outra margem

O rio Mtkvari e a ponte Metecki

Esta zona mais antiga da cidade foi destruída e reconstruída outras tantas vezes (talvez necessite mesmo de uma proteção simbólica extra...). Rodeada de inimigos poderosos, a Geórgia, um dos reinos mais antigos da Europa, um dos berços do Cristianismo, foi invadida e ocupada inúmeras vezes. Hunos e bizantinos, turcos e mongóis, tropas de Gengis Khan e de Tamerlão, persas e russos, todos por aqui passaram, deixando rastos de destruição mais ou menos duradouros. Como alguém nos dizia, quando andavamos a passear pelas montanhas do Cáucaso, as montanhas eram os únicos vizinhos da Geórgia que nunca tinham tentado invadi-los... Esta ameaça constante, que dura até hoje, tornou-os resistentes e orgulhosos das suas características e particularidades. É o caso da sua língua e da sua escrita, tão peculiares.

O responsável pelos brindes é uma figura importantes nos banquetes
e representa a hospitalidade georgiana

Estátuas na Ponte Baratashvili

A Torre de Relógio mais célebre de Tbilisi

Num dos dias em que estivemos em Tbilisi, um domingo, festejava-se a Festa da Pureza da Família. É um feriado nacional, religioso mas também nacionalista. Havia muitas pessoas vestidas com os trajes tradicionais, que se encaminhavam para celebrações religiosas ou festas mais laicas. Lembro-me de ver famílias vestidas a rigor na Catedral de Sioni ou na Basilica Anchiskhati (a mais antiga igreja de Tbilisi, do século VI) e muitos milhares de pessoas a passarem na Ponte Baratashvili, participando numa enorme procissão. A Geórgia foi dos primeiros países a adotar o Cristianismo, logo no século III, e a igreja ortodoxa georgiana é uma parte importante da sua identidade nacional.

Tímpano da Basilica Anchiskhati

O belo candelabro central da Igreja Metecki

Há centenas de igrejas, capelas e pequenos mosteiros espalhados pela cidade. Algumas têm frescos e decorações antigas e belíssimas, por regra proíbidas de fotografar ou filmar. São idênticas na sua estrutura interna e externa, seguindo um esquema bastante rígido; é precisamente nos pormenores decorativos que, por vezes, se destacam. As esculturas delicadas, os grandes candelabros de ferro forjado, os frescos e os belíssimos ícones que cobrem as paredes.

A catedral de Sioni

Interior da Catedral de Sioni

A igreja mais imponente é a catedral de Sameba, fora do centro histórico, que esmaga pelas suas dimensões. Implantada no meio de um jardim, ao cimo de uma imensa escadaria, o complexo religioso é imponente. Por baixo da catedral, há uma capela subterrânea que também quisemos visitar e fomos surpreendidos por outra igreja enorme, de dimensões quase idênticas à do piso superior!

Subindo para a Catedral de Sameba

O belo pátio fronteiro

A zona mais elegante de Tbilisi é a que se estende entre a Praça da Liberdade e a Praça da República, ao longo da Avenida Shota Rustaveli. Aí se encontram muitos edifícios diferenciados, construções dos séculos XIX e XX, que hoje albergam museus, edifícios governamentais, casas de espectáculos. Aí está também a livraria mais célebre da cidade, a Prosperous, onde queriamos dar uma olhadela. Gostaria muito de ter tido tempo para visitar mais espaços culturais, como o Museu de Artes Plásticas com a sua coleção de obras de Pirosmani, mas optámos sem dificuldade pelo Museu Nacional da Geórgia. A escolher um, teria de ser esse! E que boa escolha!

Shota Rustaveli, o maior poeta georgiano, na avenida com o seu nome

O Museu de Artes Plásticas

A Casa da Ópera e do Ballet

O Museu Nacional da Geórgia tem muitas coisas interessantes para mostrar, mas destaco o Tesouro, composto por peças de ourivesaria desde os tempos da Cólquida até à Idade de Ouro da Geórgia, na Idade Média (séculos XI a XIII). Tem peças absolutamente magníficas, tiaras, brincos, além dos ícones medievais, maravilhosos! Foi também interessante perceber como os georgianos conseguiram preservar o seu Tesouro, após a invasão do Exército Vermelho, quando todos os grandes museus do mundo lhe queriam deitar a mão!


A escadaria para as Crónicas da Geórgia

Fora do centro histórico de Tbilisi, ergue-se um monumento absolutamente extraordinário: as Crónicas da Geórgia. É formado por um conjunto de 16 colunas com mais de 30 metros de altura, projetado ainda nos tempos soviéticos, em 1985, mas finalizado apenas no início do século XXI. Cada coluna está dividida em três secções: no topo, estão talhadas cenas da vida georgiana, como a produção do vinho; na base, estão esculpidas cenas do Novo Testamento; na secção central, estão as estátuas dos heróis georgianos, reis e rainhas, intelectuais, escritores, soldados. Situado no topo de uma colina, este conjunto monumental tem vistas imperdíveis sobre o “mar de Tbilisi” e é de uma imponência que me impressionou vivamente!





Esta pequena capela, também ricamente esculpida, faz parte do conjunto
monumental das Crónicas da Geórgia

No último dia que passámos em Tbilisi almoçámos num restaurante da Avenida Rustaveli, animado por um velhote que parecia adormecido, mas de vez em quando acordava para tocar piano e pedir dinheiro... Nota máxima para o frango com romãs! Porque o encanto da Geórgia também está na sua culinária!




domingo, 18 de janeiro de 2026

Trinidad e a memória colonial

 

Entrada no engenho de açúcar de San Isidro

A pequena cidade de Trinidad situa-se na zona sul da ilha de Cuba, entre os picos montanhosos da Sierra de Escambray e o litoral, banhado pelo mar do Caribe. Esta privilegiada situação geográfica resultou numa paisagem luxuriante e numa enorme fertilidade agrícola. Não surpreende que ali se tenha desenvolvido a cultura do café e tenham surgido numerosas plantações de açúcar. O café mais apreciado é cultivado, ainda hoje, nas encostas da montanha. Não trepámos até lá, embora tenha comprado um pacote desse café de altitude numa loja de Trinidad.

Uma loja de artesanato em Trinidad

O meu objetivo era visitar as plantações de açúcar, ou o que delas resta. Durante os séculos XVIII e XIX, desenvolveu-se aí um sistema esclavagista de plantação, que enfraqueceu depois da emancipação dos escravos e em resultado da destruição gerada pelas guerras de independência. A maior parte das plantações não modernizou o seu equipamento e, pouco a pouco, foram abandonadas.

Planta do Valle de los Ingenios



A primeira plantação que visitámos foi San Isidro de los Destiladeros, no Valle de los Ingenios (Vale dos Engenhos). Era um típico engenho de açúcar, operado por trabalho escravo, e foi recuperado em 2024 como um espaço museológico. A casa do senhor do engenho, assim como a torre da qual se avistava – e se vigiava... – toda a zona de trabalho, ainda estão em muito bom estado de conservação. A Casa Grande, como era chamada, abriga o espaço de museu e centro de interpretação do engenho. Aí vemos os objetos do quotidiano, assim como os objetos ligados à sujeição e ao castigo, como grilhões e o famigerado tronco onde eram amarrados os escravos recalcitrantes... Também mostra mapas e textos para uma melhor compreensão do fenómeno da escravidão e do tráfico. É um pequeno museu, mas bastante interessante e didático.

A casa do senhor do engenho

Instrumentos de castigo dos escravos, no espaço musealizado

No exterior, onde decorria o trabalho de tratamento da cana e de produção do açúcar, as construções estão quase totalmente em ruínas. No entanto, há placas que reconstituem os espaços e os explicam ao visitante.

Grilhões e outros objetos do quotidiano

Para perceber melhor o trabalho da produção açucareira, dirigimo-nos a Manaca Iznaga, outro engenho, com muito mais turistas e menos informação. A Casa Grande está transformada num restaurante, com música tradicional ao vivo e venda de recordações turísticas. Nada contra... mas lá atrás, nas traseiras da casa, ainda se pode ver o trapiche, o mecanismo onde era moída a cana de açúcar. A alta torre do engenho ainda está de pé e, ali perto, o grande sino que marcava o trabalho no engenho repousa agora no meio de um canteiro de flores.

O trapiche

O sino que marcava o tempo dos trabalhos

Em qualquer destas antigas plantações se encontram mulheres que bordam panos e toalhas nos belos motivos típicos da ilha. Elas vendem os seus bordados e outras pequenas peças de artesanato. Comprei algumas coisas, pois claro. Elas mostram os seus trabalhos, mas não assediam os turistas como noutros locais (por exemplo o Egito, onde eu até tinha medo de olhar para uma banca de artesanato...).

Panos bordados...

Os senhores destes engenhos e as suas famílias não viviam nas casas das plantações durante o ano inteiro. Tinham belas casas na cidade de Trinidad.

Pátio da Casa Brunet, em Trinidad

Trinidad foi das primeiras localidades a ser fundada em Cuba pelos colonizadores espanhóis, no ano de 1514, e mantém muitos traços dessa presença colonizadora espanhola. Todo o centro histórico é cruzado por pequenas ruas empedradas à maneira espanhola, que remonta às vias romanas. As casas térreas têm janelas altas, protegidas por grades. É verdade, faz lembrar os pequenos povoados da Andaluzia. As paredes são grossas e, nos pontos em que a tinta já desbotou e caiu, vê-se uma argamassa escura. Dizem-me que é terra e argila misturadas com sangue de animais, para ficar mais resistente. Será? Garantem-me que sim...

As ruas típicas de Trinidad


O centro da cidade velha é enquadrado pela igreja, pois claro, e por uma belíssima praça pontuada por vasos de cerâmica e bancos cobertos de azulejos de cores vibrantes. E palmeiras, sempre; a palma real é o símbolo de Cuba e está presente em todo o lado, até na bandeira.

A Plaza Mayor de Trinidad

Há poucos veículos motorizados, mas muitas carroças e camponeses a cavalo. Fico com a ideia de que poderiam isolar aquele centro histórico e filmar aí uma novela de época. Não pecisariam de mudar quase nada, parece uma cápsula do tempo que nos leva diretamente ao século XIX.

Guajiro (camponês)

Este sentimento perdura quando entramos no chamado “Museu Romântico”, uma casa senhorial, pertença da família Brunet, hoje transformada num museu de época. Quando entramos, a mesa está posta, parece pronta para nos receber. Deambulamos pelos quartos e salas, imaginando a vida de quem ali vivia: salas de costura e gabinetes de negócios, quartos de dormir e salão de receber... A grande cozinha... E uma vista magnífica de cada janela, de cada balcão...

A sala de jantar da família Brunet

O quarto de dormir...

A cozinha...

Das janelas avista-se a cidade e os campos ao redor...

Uma visita a Trinidad não pode terminar sem provar a Canchánchara, uma bebida tradicional que parece ter sido inventada por ali, para aquecer as noites dos combatentes pela independência de Cuba, ainda no século XIX. Não apurei a receita, mas deixo os ingredientes...