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Um barco viking em Roskilde |
A pequena cidade de Roskilde, aninhada no fundo do fiorde com
o mesmo nome, foi a primeira capital da Dinamarca. Era o tempo dos reinos
vikings, há mais de mil anos, e, se há lugar onde essa herança viking esteja presente
e seja celebrada, é em Roskilde.
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Na praça principal, junto à catedral |
Foi nesse local que se instalou o rei Haroldo Dente Azul, ou
Haroldo I, celebrado como o unificador da Dinamarca e da Suécia. Sim, não é por
acaso que a tecnologia Bluetooth tem esse nome!
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O porto velho, no fundo do fiorde de Roskilde |
Chegámos a Roskilde a meio da tarde e dirigimo-nos logo para
o Museu Viking, com receio de que fechasse as portas e já não conseguissemos
entrar. É um museu único, construído à volta de um conjunto de cinco barcos do
século X que foram descobertos à entrada do fiorde e recuperados. A história é
interessante: no século X, Roskilde foi ameaçada por barcos noruegueses, que se
dirigiam para a cidade. Os cinco barcos foram propositadamente afundados à
entrada do fiorde para impedir o ataque dos noruegueses. Parece que o
estratagema funcionou, mas os barcos lá ficaram até ao século XX.
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Barcos vikings recuperados do fiorde |
Hoje, esses longos barcos vikingues servem de pretexto ao
Museu. Além dos barcos, com o seu típico perfil alongado e alta proa, o museu
inclui exposições sobre vários aspetos da civilização viking, desde a sua
alimentação e vestuário até à sua conversão ao cristianismo e gradual
normalização das relações com os seus vizinhos cristãos.
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Um dos barcos reconstituídos |
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O museu desvenda um pouco do mundo viking |
A animação continua fora do museu. Há um espaço para jogos e
atividades da época viking, dirigido aos mais pequenos. Podemos aprender sobre
as técnicas de construção e até navegar a sério num barco viking. O anúncio
afirma que se destina a todos os que têm nem que seja apenas uma gota de sangue
viking nas veias! Eu acho que não tenho, mas também me encantou!
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A zona dos jogos |
Nem só de História vive o Homem e Roskilde tem também
propostas mais prosaicas e atuais. Se estiver bom tempo, os motociclistas da
região reunem-se junto ao porto velho todas as quintas-feira. Também lá fomos,
pois claro!... E descobrimos aí um restaurante com uma bela esplanada, onde
experimentámos o peixe da região. E comemos como uns verdadeiros vikings...
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A concentração de motas de Roskilde |
Foi também Haroldo o primeiro rei dinamarquês a converter-se
ao cristianismo e a construir uma igreja, depois substituída pela imponente
catedral, panteão da monarquia dinamarquesa até aos dias de hoje. As crónicas
da época afirmam que Haroldo foi sepultado nessa igreja, construída em madeira.
Mas nada sobrou dessa igreja original, substituída por uma igreja em pedra no
século XI e depois, já no século XII, pela bela catedral que hoje vemos,
influenciada pelo gótico francês mas construída em tijolo. Dizem que o rei
Haroldo ainda por lá está, dentro de uma das colunas da nave central. Será?
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As elegantes torres da catedral de Roskilde |
Quanto ao rei Haroldo não podemos garantir mas, entre a nave
principal e as capelas laterais, encontramos os sarcófagos e monumentos
sepulcrais de vinte e dois reis e rainhas da Dinamarca, numa linha quase
ininterrupta desde o século X até ao século XX. São acompanhados por inúmeros
outros sarcófagos, de familiares, membros da nobreza, altos funcionários.
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A capela funerária de Cristiano IV |
Destaca-se o sarcófago da Rainha Margarete, a rainha que uniu
a Escandinávia no século XIV, chamada a Rainha do Norte.
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O sarcófago da rainha Margarete |
Algumas capelas mortuárias são magníficas, com túmulos
grandiosos e uma decoração esmerada. Outras são mais simples, respondendo a um
gosto mais contido e introspetivo. Mas, no seu conjunto, mostram-nos a evolução
do gosto e dos conceitos religiosos ao longo de mil anos.
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Os sarcófagos do rei Frederico VIII e da rainha Louise |
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Sarcófago do rei Cristiano IX |
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Túmulo de Cristiano I na Capela dos Reis Magos, construída no século XV |
Para além do seu simbolismo enquanto panteão da monarquia
dinamarquesa, a catedral mostra outros pormenores deliciosos, como o relógio do
século XV, em que S. Jorge mata o dragão a cada hora...
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S. Jorge mata o dragão de hora a hora... |
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Retábulo no altar-mor da catedral |
E, por entre outros
tesouros, a caixa privada mandada construir pelo rei Cristiano IV como um
enorme relicário, onde ele gostava de se recolher para assistir à missa...
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A caixa privada de Cristiano IV |
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Entrada da capela da família Trolle |
A catedral de Roskilde está inscrita na lista de Património
Mundial da UNESCO e a própria cidade está embebida da História da Dinamarca,
numa linha contínua que nos traz a herança viking até aos dias de hoje.
É um privilégio seguir viajantes e os seus olhos despertos. Dão-nos perspetivas diferentes, almas novas que se acrescentam à nossa - se é que a temos.
ResponderEliminarTu tens com certeza...
ResponderEliminarGosto de viajar, fugindo o mais que posso ao turismo massificado. E gosto de escrever sobre a forma como olhei para as coisas. E fico feliz quando alguém gosta de ler o que eu escrevo...