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Partida de Santander rumo a Portsmouth, com o Centro Botín em primeiro plano |
Quem gosta de viajar
conhece bem aquela excitação do momento da partida, quando finalmente pomos em
prática todos os preparativos que se foram sucedendo ao longo de meses. Está
tudo preparado, ao pormenor, e esperamos que só haja imprevistos positivos e enriquecedores
da experiência da viagem. Infelizmente, houve alguns imprevistos bem
desagradáveis, mas lá os conseguimos ultrapassar com alguma sorte e muita
determinação. E também esse é um dos ensinamentos da viagem: nem tudo se
consegue controlar e é preciso, em cada momento, saber lidar com os percalços
inesperados.
A primeira etapa
levou-nos até Burgos. Mais de 700 quilómetros que se fazem muito bem, nas
autovias de Espanha. Algumas paragens estratégicas, para desentorpecer as
pernas e abastecer a mota. O almoço foi em Castellanos de los Moriscos (que
estranho nome!), exatamente no mesmo comedor
onde parámos no ano passado.
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A belíssima Catedral de Burgos (exterior) |
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A belíssima Catedral de Burgos (claustro) |
À chegada a Burgos, a
decisão era apressar-nos para encontrar a catedral aberta. No ano passado,
visitámos o centro histórico de Burgos, a terra do Cid el Campeador, capital de Castela e bastião da Reconquista. Este
ano, reservámos todo o fim da tarde para a catedral, iniciada no século XII e
Património da Humanidade. É impossível descrevê-la com justiça, há que a
visitar com vagar, olhar os tectos, os retábulos, as esculturas policromadas, e
deixar-nos penetrar pela sua beleza ímpar!
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Pormenores: a Porta do Paraíso... |
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...pormenor de um retábulo... |
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...estátuas jacentes dos Condestáveis de Castela... |
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...com o cãozinho aos pés, eterno símbolo de fidelidade. |
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A escadaria dourada |
Burgos merecia um post inteiro, mas terá de ficar para
outra ocasião.
O ferryboat para
Portsmouth, onde iniciaremos realmente a nossa viagem rumo à Escócia e às
Highlands, partiu de Santander. Com a exceção do pequeno espaço da Catedral,
nada é antigo. Santander foi destruída por um incêndio em 1941, recordado num
conjunto escultórico junto do Centro Botín e junto ao mar. A partir daí, a
cidade reconstruiu-se, vibrante e moderna, virada para o futuro.
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Catedral de Santander |
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O Centro de Artes Botín |
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As esculturas de José Cobo Calderón que recordam o incêndio de 1941 |
A saída do porto de
Santander, rumo a norte, é belíssima! Passamos pelas praias, pela Península da
Magdalena... A cidade vai desfilando à frente dos nossos olhos, com os Montes
Cantábricos a desdobrarem-se em planos quase infinitos, até que o farol, na sua
pequena ilha, determina as despedidas.
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A península da Magdalena, com o palácio mandado construir por Afonso XIII |
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A ilha do farol |
O mar está encrespado
e a ondulação faz-nos vacilar como bêbados pelo navio.
É impossível não me
lembrar do ferryboat em que fizemos a
ligação entre Génova e Barcelona. São dois grandes navios, que transportam
pessoas e veículos sobre as águas, de um porto para outro desta nossa velha
Europa. As semelhanças ficam-se por aí. Escrevi na altura sobre esse barco,
essa viagem, essa mistura humana tão mediterrânica. Espanhóis ruidosos, outros
viajantes discretos e fleumáticos, centenas de marroquinos por todo o lado,
deitados no chão ou nos assentos do cinema. Havia um restaurante halal e uma sala de oração. O
Mediterrâneo sobre as suas águas.
Este navio tem um
ambiente totalmente diferente. A grande maioria dos viajantes são ingleses,
famílias que regressam de férias, motards
que estiveram na concentração de Faro e que regressam também a casa.
Conversamos com alguns, trocam-se informações. O ambiente é tranquilo. Há uma
sala com poltronas para quem não reservou uma cabine, maioritariamente jovens.
O cinema passa, efetivamente, filmes, em vez de servir de dormitório. Há um bom
restaurante gourmet, além dos self-services. Há até um canil com
acomodações individuais e um espaço para os cães passearem e brincarem com os
seus donos. Estivemos a vê-los brincar, ao final da tarde, enquanto
conversávamos com a dona galesa de dois cãezinhos farfalhudos e adoráveis, o Chico e o Benji, ambos resgatados em Espanha, há já alguns anos.
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O espaço para os cães, no navio Pont Aven |
Dois barcos, dois
percursos. Na verdade, duas Europas e duas culturas diversas. Mundos
diferentes, talvez complementares, talvez compatíveis!
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