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| Entrada no engenho de açúcar de San Isidro |
A pequena
cidade de Trinidad situa-se na zona sul da ilha de Cuba, entre os picos
montanhosos da Sierra de Escambray e o litoral, banhado pelo mar do Caribe.
Esta privilegiada situação geográfica resultou numa paisagem luxuriante e numa
enorme fertilidade agrícola. Não surpreende que ali se tenha desenvolvido a
cultura do café e tenham surgido numerosas plantações de açúcar. O café mais
apreciado é cultivado, ainda hoje, nas encostas da montanha. Não trepámos até
lá, embora tenha comprado um pacote desse café de altitude numa loja de
Trinidad.
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| Uma loja de artesanato em Trinidad |
O meu
objetivo era visitar as plantações de açúcar, ou o que delas resta. Durante os
séculos XVIII e XIX, desenvolveu-se aí um sistema esclavagista de plantação,
que enfraqueceu depois da emancipação dos escravos e em resultado da destruição
gerada pelas guerras de independência. A maior parte das plantações não
modernizou o seu equipamento e, pouco a pouco, foram abandonadas.
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| Planta do Valle de los Ingenios |
A primeira
plantação que visitámos foi San Isidro de los Destiladeros, no Valle de los
Ingenios (Vale dos Engenhos). Era um típico engenho de açúcar, operado por
trabalho escravo, e foi recuperado em 2024 como um espaço museológico. A casa
do senhor do engenho, assim como a torre da qual se avistava – e se vigiava...
– toda a zona de trabalho, ainda estão em muito bom estado de conservação. A
Casa Grande, como era chamada, abriga o espaço de museu e centro de
interpretação do engenho. Aí vemos os objetos do quotidiano, assim como os
objetos ligados à sujeição e ao castigo, como grilhões e o famigerado tronco
onde eram amarrados os escravos recalcitrantes... Também mostra mapas e textos
para uma melhor compreensão do fenómeno da escravidão e do tráfico. É um
pequeno museu, mas bastante interessante e didático.
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| A casa do senhor do engenho |
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| Instrumentos de castigo dos escravos, no espaço musealizado |
No exterior,
onde decorria o trabalho de tratamento da cana e de produção do açúcar, as
construções estão quase totalmente em ruínas. No entanto, há placas que
reconstituem os espaços e os explicam ao visitante.
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| Grilhões e outros objetos do quotidiano |
Para
perceber melhor o trabalho da produção açucareira, dirigimo-nos a Manaca
Iznaga, outro engenho, com muito mais turistas e menos informação. A Casa
Grande está transformada num restaurante, com música tradicional ao vivo e
venda de recordações turísticas. Nada contra... mas lá atrás, nas traseiras da
casa, ainda se pode ver o trapiche, o mecanismo onde era moída a cana de
açúcar. A alta torre do engenho ainda está de pé e, ali perto, o grande sino
que marcava o trabalho no engenho repousa agora no meio de um canteiro de
flores.
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| O trapiche |
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| O sino que marcava o tempo dos trabalhos |
Em qualquer
destas antigas plantações se encontram mulheres que bordam panos e toalhas nos
belos motivos típicos da ilha. Elas vendem os seus bordados e outras pequenas
peças de artesanato. Comprei algumas coisas, pois claro. Elas mostram os seus
trabalhos, mas não assediam os turistas como noutros locais (por exemplo o
Egito, onde eu até tinha medo de olhar para uma banca de artesanato...).
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| Panos bordados... |
Os senhores
destes engenhos e as suas famílias não viviam nas casas das plantações durante
o ano inteiro. Tinham belas casas na cidade de Trinidad.
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| Pátio da Casa Brunet, em Trinidad |
Trinidad foi
das primeiras localidades a ser fundada em Cuba pelos colonizadores espanhóis,
no ano de 1514, e mantém muitos traços dessa presença colonizadora espanhola.
Todo o centro histórico é cruzado por pequenas ruas empedradas à maneira
espanhola, que remonta às vias romanas. As casas térreas têm janelas altas,
protegidas por grades. É verdade, faz lembrar os pequenos povoados da
Andaluzia. As paredes são grossas e, nos pontos em que a tinta já desbotou e
caiu, vê-se uma argamassa escura. Dizem-me que é terra e argila misturadas com
sangue de animais, para ficar mais resistente. Será? Garantem-me que sim...
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| As ruas típicas de Trinidad |
O centro da
cidade velha é enquadrado pela igreja, pois claro, e por uma belíssima praça
pontuada por vasos de cerâmica e bancos cobertos de azulejos de cores vibrantes. E
palmeiras, sempre; a palma real é o símbolo de Cuba e está presente em todo o
lado, até na bandeira.
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| A Plaza Mayor de Trinidad |
Há poucos
veículos motorizados, mas muitas carroças e camponeses a cavalo. Fico com a ideia
de que poderiam isolar aquele centro histórico e filmar aí uma novela de época.
Não pecisariam de mudar quase nada, parece uma cápsula do tempo que nos leva
diretamente ao século XIX.
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| Guajiro (camponês) |
Este
sentimento perdura quando entramos no chamado “Museu Romântico”, uma casa
senhorial, pertença da família Brunet, hoje transformada num museu de época.
Quando entramos, a mesa está posta, parece pronta para nos receber. Deambulamos
pelos quartos e salas, imaginando a vida de quem ali vivia: salas de costura e
gabinetes de negócios, quartos de dormir e salão de receber... A grande
cozinha... E uma vista magnífica de cada janela, de cada balcão...
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| A sala de jantar da família Brunet |
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| O quarto de dormir... |
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| A cozinha... |
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| Das janelas avista-se a cidade e os campos ao redor... |
Uma visita a
Trinidad não pode terminar sem provar a Canchánchara, uma bebida tradicional que
parece ter sido inventada por ali, para aquecer as noites dos combatentes pela
independência de Cuba, ainda no século XIX. Não apurei a receita, mas deixo os
ingredientes...