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Nas margens do Lymfiord |
A Jutlândia é uma
península localizada no extremo norte da Alemanha e corresponde,
essencialmente, à parte continental da Dinamarca. As zonas mais populosas,
incluindo as cidades de Copenhaga, Odense, Roskilde, situam-se nas ilhas mais orientais.
Assim, a Jutlândia é um retrato mais fiel da Dinamarca rural, entre fiordes,
bosques e colinas douradas. Também aqui cresceram cidades, como Aarhus ou
Aalborg, mas conseguimos rolar durante muitos quilómetros sem trânsito urbano.
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Igreja catedral de Aalborg |
Não é difícil
conduzir na Dinamarca. Das auto-estradas (onde o limite de velocidade são os
130 Km/hora) até às pequenas estradas rurais, o piso é sempre bom e bem
cuidado. Não detetámos muitos radares, mas talvez não seja necessário, os
condutores cumprem escrupulosamente os limites de velocidade... Ao contrário do
que se crê, nem tudo é plano e, especialmente aqui na Jutlândia, a paisagem é
mais caracterizada por colinas ondulantes, cultivadas com cereais ou pasto para
os animais. De vez em quando, um lago ou um fiorde obrigam-nos a mais uma
passagem de ferry, o que não nos aborrece nada.
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No ferryboat de Hvalpsund para Sundsøre |
Por vezes, é bom
parar junto ao mar e ficar simplesmente a apreciar a quietude do lugar. Foi o
que fizemos junto ao fiorde de Vejle. Segundo as informações, vivem ali e no
estreito de Kattegat cerca de 40 000 golfinhos. Mas não vimos nem um!
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Junto ao fiorde de Vejle |
Gostei muito das
casas tradicionais da Dinamarca. Geralmente, são pintadas de branco, mas também
podem ser amarelas, vermelhas ou ocres, com ou sem travejamento em enxaimel. O
que não pode faltar são os tetos de colmo, alguns já cheios de musgo. Há
imensas nas zonas rurais, o que me faz pensar que não são só folclore. Salta à
vista a frequência de bandeiras dinamarquesas, vermelhas com uma cruz branca,
nos terrenos das quintas e moradias. Compridas e estreitas, voam ao vento como
pendões.
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Casa típica rural, com telhados de colmo |
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Casas tradicionais dos centros urbanos |
Rolamos para
norte, na direção de Aalborg, a cidade mais setentrional da Dinamarca. Em Tølløse, no meio de um parque natural, tivemos a ideia
de comprar mantimentos e fazer um piquenique. Escolhemos o sítio ideal no
bosque ideal! Altas árvores deixavam entrar umas manchas de sol que batiam no
chão, entre cogumelos aninhados como ramos de flores. Um caminho coberto de
folhas, ainda húmidas da chuva noturna. Troncos de árvore cobertos de musgo,
cantos de pássaros... Um bosque encantado mas... ao longe começou a ouvir-se o
ribombar dos trovões! Só tivemos tempo de saltar para cima da mota. Chuva e trovoada
até Aalborg!
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Um bosque encantado... |
Aalborg situa-se
na margem do Limfyord, que separa a Jutlândia das ilhas mais a norte. Não é uma
cidade grande, mas tem muita vida graças à universidade e aos estudantes.
Depois da tempestade, só nos apeteceu um banho quente e um jantar no pub mais
ruidoso da rua mais animada da cidade: a Jomfru Ane, uma rua só com bares,
restaurantes e discotecas. No pub “Proud Mary”, via-se a transmissão do jogo de
futebol do F. C. Copenhagen contra os turcos do TrabzonSport e festejámos os
golos dinamarqueses como verdadeiros nativos.
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Passeio de Aalborg junto ao Lymfiord |
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Sede do banco regional, numa antiga fortaleza |
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A Jomfru Ane |
É aqui na
Jutlândia que se localiza a que dizem ser a cidade mais antiga da Dinamarca,
Ribe. Fundada no século VIII, no início da era viquingue, é uma cidade
pequenina, mas muito mimosa, com um centro medieval muito bem preservado. As
ruas do centro, pedonais, são ladeadas por casas antigas, algumas já tortas,
denunciando o peso da passagem do tempo.
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As velhas casas do centro de Ribe |
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Barcos no canal |
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Pormenores de uma casa antiga |
No centro da praça
principal, a igreja é muito original, misturando estilos livremente. No
interior da nave lateral, peanhas com figuras medievais contrastam com um
altar-mor cubista!
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A igreja de Ribe |
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O original altar-mor |
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Da sua peanha, S. Jorge continua a matar o dragão |
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Os bancos ricamente talhados da igreja |
A igreja está
rodeada por figuras ligadas à evangelização da Escandinávia. A mais espetacular
é a de Asgnar, o padroeiro da Escandinávia, um bispo missionário que fundou a
primeira igreja de Ribe, cerca do ano 860.
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As estátuas rodeiam a igreja |
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A estátua de S. Asgnar, o padroeiro da Escandinávia |
Há um riozinho, o
Ribea, que corre pelo meio da cidade, fazendo ainda hoje mover noras e
acrescentando o encanto bucólico do local.
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Uma nora no rio Ribea |
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Um recanto tranquilo |
Dirigimo-nos, por
fim, à costa ocidental da Dinamarca, batida pelo mar do Norte. Depois das
praias do Mar Báltico, de areia fina e temperatura da água muito amena, as
praias do mar do Norte parecem de outra latitude. Os areais quase desertos são
protegidos por dunas batidas pelo vento constante. A cidade de Esbjerg é um
porto piscatório e comercial, não uma estância balnear.
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Uma praia no mar do Norte |
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A Torre da Água, em Esbjerg |
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A igreja de Esbjerg, uma construção em tijolo típica desta região |
A norte de
Esbjerg, estende-se o Parque Nacional Wadden See. Praias e dunas a perder de
vista. É aí que se ergue a grande instalação “Man meets the Sea”, colocada em
1994. São quatro estátuas brancas, gigantescas, que estão sentadas e olham o
mar. A informação disponível refere que o branco simboliza um ser humano puro e
inocente. Quanto a isso não digo nada. Mas foi destas costas que, há muitos
séculos, os destemidos navegadores viquingues afrontaram o mar para irem em
busca do seu destino. Um destino que foi tão grande como estes gigantes que
agora olham o mesmo mar.
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Man meets the Sea |