domingo, 14 de fevereiro de 2010

O Castelo do Papa

(Vista nocturna do Castelo Sant' Angelo)

Começou por ser um Mausoléu, mandado construir pelo imperador Adriano, em 139. Aí foi sepultado, tal como outros imperadores romanos, que ainda aí têm as suas cinzas. Entretanto, as necessidades militares de defesa da cidade de Roma levam à sua inclusão nas muralhas Aurelianas.


(Maquete do Mausoléu de Adriano)

Mas só ganha o seu nome actual de Castelo Sant' Angelo no século VI. Segundo a lenda, grassava na altura uma terrível peste em Roma, que já tinha vitimado muitos romanos. Em desespero, começam a ser feitas procissões na zona onde hoje se situa o Vaticano. É então que o Papa Gregório Magno afirma ter uma visão, o arcanjo S. Miguel sobre o antigo mausoléu, que passa a ser conhecido pelo Castelo do Anjo. Desde essa altura, serviu de residência, refúgio ou fortificação aos Papas.


(Estátua do Arcanjo S. Miguel no topo do castelo)

Pode chegar-se ao Castelo de várias formas, mas a mais espectacular é, sem dúvida, caminhar pela Ponte Sant'Angelo, sobre o rio Tibre, uma ponte hoje pedonal bordejada pelos belíssimos anjos de Bernini. 


(A Ponte Sant'Angelo)

A subida do Castelo faz-se por uma rampa larga, em espiral, para que os cavalos a pudessem subir rapidamente e este é um dos aspectos mais originais deste castelo. 
(Um dos anjos que acompanham a Ponte)

O Castelo, hoje, funciona como um museu sobre a própria história do castelo. Os aposentos papais são muito bonitos, ornamentados com belos frescos, e o Pátio de Honra mostra vestígios da sua função militar, como balas de canhão. 

(Vista sobre o Pátio de Honra)

No topo do castelo, o terraço é encimado pelo gigantesco arcanjo S. Miguel, uma estátua feita no século XVIII por um escultor flamengo, sobre um desenho de Bernini. Daí se avista também il passetto, uma passagem disfarçada, que unia o Castelo à Basílica de S. Pedro, e que podia fornecer uma via de fuga para o papa, em caso de necessidade.
(Vista sobre il Passetto)

Mas a melhor ornamentação do terraço é a própria vista sobre a cidade de Roma: o rio Tibre, os telhados de Roma, a cúpula de S. Pedro, os pináculos das inúmeras igrejas de Roma, rodeiam o Castelo e proporcionam um cenário inesquecível.
(Vista sobre Roma dos terraços do Castelo Sant' Angelo)

Curiosidade: A planta circular deste edifício influenciou a construção do Forte do Bugio, em Portugal, e do Forte de S. Marcelo, no Brasil. 


(Fotografias de Teresa e Fernando Ferreira)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Château de Chillon

O Castelo de Chillon é, provavelmente, um dos castelos mais encantadores que eu já alguma vez visitei.


É um castelo medieval, cujas origens remontam provavelmente ao século XIII, pelo menos com o aspecto actual. Foi inicialmente construído para os duques de Sabóia, mas, a partir do século XVI, é utilizado pelos bailios de Berna, que dominavam toda aquela região. 

O castelo está impecavelmente conservado. As salas, os torreões, as escadarias, sofreram um trabalho de recuperação e conservação que não é ocultado ao visitante.


Há placards, discretos, mostrando não só as obras de restauro, como também a função dos aposentos. Este aspecto torna a visita ainda mais didáctica.


Todo o castelo está extremamente cuidado. Está tudo limpo,  há vasos de flores a pontuar os caminhos.


Na entrada, junto das bilheteiras, surge a explicação: todo o trabalho de conservação e exploração do Castelo está a cargo de um grupo de cidadãos, o "Grupo de Amigos do Castelo de Chillon", que gerem as receitas, as obras, enfim, tudo o que se relaciona com o castelo.


Evidentemente, um dos aspectos que mais favorece o Castelo de Chillon é a sua localização, nas margens do Lago Leman, que é visível de todas as janelas e passadiços.

O lago e as montanhas que o circundam são um cenário de uma grande beleza, que é também valorizado. É possível fazer passeios de barco entre o castelo e a cidade de Lausanne ou, se o visitante estiver em melhor forma física, há um caminho a bordejar o lago, que serve ainda de ciclovia, e que liga também a cidade de Lausanne ao castelo. 


(Fotografias de Teresa Ferreira)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho

Na cidade de Genève situa-se um dos museus mais tocantes e interessantes que já visitei: o Museu da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. É pouco conhecido. Não faz parte dos circuitos turísticos. No entanto, eu aconselho a visita. Seguramente, sairemos deste museu com mais conhecimentos e humanamente mais ricos.



(Os símbolos da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho)


Como é sabido, a Cruz Vermelha foi criada em 1863, por Henry Dunant. Em 1919, associa-se ao Crescente Vermelho para, em conjunto, criar uma organização internacional que se baseia no trabalho de quase 100 milhões de voluntários. O seu objectivo é proteger a vida e a saúde humana, e aliviar o sofrimento humano, sem discriminação resultante da nacionalidade, da raça, do sexo, da crença religiosa, das opiniões políticas ou da classe social.



(A memória de Henry Dunant)


Logo à entrada do Museu, somos recebidos pelas palavras de Henry Dunant, que nos questionam directamente sobre a nossa responsabilidade global:  "Chacun est responsable de tout devant tous" ("Cada um é responsável  por tudo perante todos"). 



(Chacun est responsable de tout devant tous)


Também na zona da entrada, os grupos de figuras de pedra amordaçadas lembram-nos todas as pessoas que ainda hoje vêem os seus direitos diminuídos ou violados.



(Os direitos civis amordaçados)


Dentro do museu, passamos por muitas salas onde se guardam as memórias das principais acções humanitárias: os arquivos dos prisioneiros da 1.ª Guerra Mundial, o apoio na área da enfermagem e dos cuidados de saúde em zonas de guerra, a luta contra as minas terrestres, o apoio aos mutilados de guerra, e tantas outras.



(Os arquivos dos prisioneiros da 1.ª Guerra Mundial)


Tocou-me particularmente a parte do museu relativa às crianças que perderam membros devido a conflitos ou à explosão das minas que continuam a matar, mesmo depois da guerra teoricamente acabar.



(Tous les hommes naissent pour vivre debout)


O Comité da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho foi premiado com o prémio Nobel da Paz em 1917 e em 1944, portanto durante cada uma das duas guerras mundiais, tendo sido os únicos prémios Nobel entregues nesses anos. Foi outra vez agraciado com o prémio Nobel da Paz no seu centenário, em 1963. Acredito que bem o merece.


(Fotografias de Teresa Ferreira)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

As Nações Unidas

No ano de 2008, por razões que se prenderam em partes iguais com o trabalho e com o lazer, visitei as duas sedes das Nações Unidas, a de Genève, na Suiça, e a de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Foram visitas muito interessantes, porque me permitiram compreender melhor o papel da Organização das Nações Unidas no mundo.



(Entrada do Palácio das Nações em Genève. Há sempre aí manifestantes, 
a favor de qualquer causa) 


A sede da organização em Genève tem o nome de Palácio das Nações e foi construída em 1929, para sede da então chamada Sociedade das Nações, fundada após a Primeira Guerra Mundial. Quando a Sociedade das Nações foi dissolvida, o edifício tornou-se a sede da recém-criada Organização das Nações Unidas. É um edifício belíssimo, ao estilo Art Déco dos anos 20, com salas pintadas por grandes artistas da época. 



(Vista sobre o Parque, vendo-se a seta de titânio doada pela URSS)


O jardim, chamado Parc des Nations, foi decorado com esculturas monumentais doadas por vários países, como a grande esfera armilar em bronze, doada pelos Estados Unidos da América, e uma estrutura que se ergue para o céu em forma de seta, revestida de titânio, e que representa a corrida espacial. Foi doada pela então União Soviética. Estas duas esculturas, das maiores do Jardim, representam ao fim e ao cabo uma das maiores dificuldades que esta organização enfrentou, isto é, a Guerra Fria que opôs as duas super potências ao longo da segunda metade do século XX.



(Sala de Conferências em Genève)




(Sala de Conferências em Nova Iorque)


Hoje, todo o edifício é considerado território internacional e tem visitas guiadas em quinze línguas diferentes. Ao longo das salas e corredores, vamos vendo diversas obras doadas por muitos países, assim como exposições que nos alertam para as muitas faces do trabalho das Nações Unidas no mundo, especialmente na manutenção da Paz.




                    
(O trabalho da ONU no mundo)


O edifício de Nova Iorque é totalmente diferente. É a sede principal da Organização das Nações Unidas, fundada após a Segunda Guerra Mundial. Situado na margem do East River, num território doado pelo milionário americano John D. Rockefeller Jr., é um edifício moderno, de linhas direitas. Hoje, é um território internacional, com o seu próprio sistema postal. Destaca-se na entrada do complexo a enorme linha de bandeiras, simbolizando todos os países pertencentes a esta organização.



(O edifício da ONU em Nova Iorque)


Lá dentro, no entanto, a mesma sequência de salas de conferências, muito idênticas às de Genève, os corredores e as salas repletos de quadros e obras-de-arte doados por muitos países-membros.



(Obras de arte no interior do edifício)


Também no jardim se encontram esculturas muito interessantes, quase todas abordando os temas da paz e da amizade internacionais.



(Escultura oferecida pelo Luxemburgo)


São dois edifícios belíssimos, muito diferentes no seu aspecto, mas muito semelhantes na sua organização, e na forma como tentam sensibilizar os seus visitantes para os temas da manutenção da paz e da preocupação com a qualidade de vida deste planeta tão conturbado.



(Um mundo conturbado)


(Fotografias de Teresa e Fernando Ferreira)


sábado, 26 de dezembro de 2009

Rise - Into the Wild

Quem já viu o filme "Into the Wild" compreende o que eu digo: é um hino à viagem . Mas não é uma viagem qualquer, é uma busca de si próprio numa viagem até ao mais inóspito, pouco civilizado, selvagem, quase até ao fim do mundo.
O filme baseia-se num facto real. Um rapaz de uma família rica, bom estudante, no final do seu curso resolve recusar o emprego que o pai já tinha preparado para ele, doa os seus bens para instituições de caridade e parte numa viagem e numa aventura que o vai levar até ao Alasca, mas também numa viagem até ao fundo de si próprio. 
Só aqui coloquei uma das canções, mas toda a banda sonora do filme é bela, inspiradora, e leva-nos um pouco consigo na sua viagem. Vale a pena ver e ouvir.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Açores - 1965

Às vezes, pergunto a mim própria de onde vem este gosto errante que me levaria, se pudesse, a calcorrear o mundo, sempre em busca do que é diferente e genuíno em cada local. Olhando para trás, acredito que esse gosto nasceu numa viagem aos Açores, no ano já longínquo de 1965.
O meu pai adorava viajar. A sua viagem de sonho era a travessia da Ásia no comboio Transiberiano, até Vladivostok. Falava nisso muitas vezes e, embora tenha viajado muito pela Europa, nunca chegou a concretizar esse seu sonho. De vez em quando, metia-nos a todos no carro e partíamos, quase à aventura, pelos caminhos mais inexplorados de Portugal, ou à descoberta das terreolas espanholas mais esquecidas. Sempre sem marcações, ao sabor do momento, um pouco errantes. Mas, naquele ano, fez-nos uma surpresa: um cruzeiro pelos arquipélagos da Madeira e dos Açores.



(Partida da barra do Tejo)


A viagem, em si, já era uma aventura e foi memorável. Embarcámos no velho navio Carvalho Araújo, que fazia transporte de pessoas mas também de mercadorias. Tudo para mim era uma novidade, começando pelas refeições servidas a bordo, na grande sala que também servia de sala de estar entre as refeições, e e onde os homens se entretinham a jogar e as senhoras a conversar. Como havia poucas crianças a bordo, os criados eram uma simpatia e passavam o tempo a dar-me gulodices o que, provavelmente, me impediu de enjoar durante as tempestades que suportámos no caminho até à Madeira.
Passava horas na amurada do navio, a ver os peixes que saltavam ao lado do barco, ou simplesmente a apreciar as voltas que a água dava.
Mas a minha grande descoberta e o meu grande fascínio, foram as ilhas dos Açores. A viagem durava dezoito dias e o navio parava em todas as ilhas. Isto é, com excepção de S. Miguel, parava ao largo e depois éramos transportados em barquinhos pequenos até às ilhas, já que aí só existiam embarcadouros para barcos de pesca.



(Eu, num jardim da ilha de S. Jorge)


As ilhas eram belíssimas, mas com a beleza dura e agreste da natureza pura. Recordo-me bem das estufas de ananazes e das estradas bordejadas de hortênsias da ilha de S. Miguel, ou da moderna Base Aérea das Lages, na ilha Terceira, onde me lembro de ir almoçar.



(Vista da Lagoa das Sete Cidades, em S. Miguel)


Mas houve outros locais que me marcaram bem mais. Lembro-me do taxista que nos foi mostrar o local onde o Vulcão dos Capelinhos tinha feito surgir nova terra de um dia para o outro, prolongando a ilha tão verde num promontório ainda negro de lava arrefecida. Recordo o pequeno aeródromo da ilha de Santa Maria, com tão pouco tráfego aéreo que as vacas por lá pastavam tranquilamente, o que lhe tinha valido o epíteto de “aerovacas”. Volto a sentir a sensação incrível de descer, num cesto de verga preso por uma corda, o enorme buraco do Caldeirão da Graciosa.



(A nova terra negra, criada pelo vulcão dos Capelinhos)


Mas, mais do que qualquer outra, lembro a pequena ilha do Corvo. A mais ocidental e mais longínqua das ilhas dos Açores, muitas vezes isolada meses a fio devido ao estado do mar, recebia em festa o barco que chegava ao largo: era o dia de S. Vapor. Todos os habitantes se vestiam com os seus melhores fatos, muitas mulheres de negro, e desciam até ao pequeno ancoradouro, dimensionado para os barcos de pesca e os baleeiros. 



(Chegada ao Corvo)


No dia em que chegámos, tinham apanhado uma baleia. Tinha sido trazida até ao pequeno porto e ali estava ainda, deitada de lado, maior do que os barcos. O mar estava vermelho do sangue do majestoso animal, mas ninguém parecia prestar atenção, concentrados nos pequenos barquitos que chegavam. Ali, naqueles pequenos barcos, chegava o correio e as encomendas, gente de fora (poucos!), gente do Corvo que regressava do Continente (alguns!), enfim, chegava o Mundo!
Eu tinha estado doente nos últimos dois dias, com uma gastroenterite, e estava debilitada. O meu pai pagou a um homem, no porto, para me levar às costas até ao Caldeirão do Corvo, a belíssima lagoa vulcânica no centro da ilha, enquanto o resto do grupo ia a pé. No caminho, o homem deu um pontapé numa pedra, feriu um dedo, mas não parou nem disse nada, para minha grande aflição, ali bem instalada às suas cavalitas.



(O nosso navio, ao largo da ilha do Corvo)


Já voltei aos Açores. Os caminhos continuam bordejados por hortênsias, e a natureza continua esplendorosa e autêntica. Em quase tudo o mais, felizmente, a diferença é grande. No entanto, as impressões daquela minha primeira viagem nunca se apagaram.
Há quem diga que só as grandes viagens valem a pena, porque nos confrontamos realmente com o Outro, com um mundo diferente do nosso. Para mim, uma miúda de seis anos de Lisboa, aquelas pessoas vestidas de festa à espera de um barco que nunca se sabia quando chegava, à beira de um mar vermelho de sangue, eram verdadeiramente o Outro, com um mundo inteiro a separar-nos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Central Park




Dizem que o Central Park é o jardim das traseiras dos nova-iorquinos. E, na verdade, os nova-iorquinos usam-no como se do seu próprio jardim se tratasse. Ocupa um espaço imenso, no centro da ilha de Manhattan, e constitui um verdadeiro pulmão da cidade. Confesso que não consegui visitar todo o parque. Podia ter alugado uma charrete puxada por um cavalo, ou um daqueles riquexós, puxados por um rapaz de bicicleta, que por ali abundam, em todas as entradas do parque. Mas tenho a mania de ser diferente, gosto de saborear os sítios devagar, sentar-me na relva, observar as pessoas, parar a ouvir um músico ou a apreciar um espectáculo de rua. Qual é o resultado? Estive três vezes no Central Park, conheço cerca de metade do parque.





É um parque diferente, porque tem imensas valências diferentes. Como se tivesse de agradar a toda essa população, tão múltipla e diversa, da cidade de Nova Iorque. Como se quisesse oferecer um espaço do seu agrado a cada habitante da cidade.



Há os restaurantes, com e sem esplanada exterior. Há recintos de espectáculos, e até um teatro. Mas, acima de tudo, há um espaço imenso que cada um usa a seu belo-prazer.





No enorme relvado central, que eles chamam carinhosamente pastagem, apanha-se sol nos dias de sol, patina-se nos dias frios de Inverno.





Há lagos para os que gostam de remar e lagos para os que gostam de fazer corridas com os modelos de barquinhos à escala.







Há cinco campos de basebol, onde os nova-iorquinos vão jogar, equipados a preceito segundo o clube da sua eleição, com a possibilidade adicional de contratar árbitro no próprio local. 





Há imensas estátuas que convidam à interacção com quem passa, como a que representa o mundo fantasioso de Alice e dos companheiros do seu país das maravilhas. Há pontes, fontes e recantos onde nos podemos sentar e perder.




Há loucos que falam sozinhos e crianças que dão bagos de uva aos esquilos. E, por todo o lado, há música. Encontram-se músicos, sós ou em pequenos grupos, a tocar por todo o parque. Os instrumentos são os mais variados, desde a flauta ao violoncelo, à guitarra, à percussão. No local onde se recorda John Lennon, à vista do prédio onde habitava, um conjunto quase tão idoso como os próprios Beatles rememora as velhas canções que todos conhecemos e cantámos. São os Strawberry fields, criados por Yoko Ono, com o seu pequeno espaço central Imagine.





Há espaço para tudo. É um mundo dentro desse outro mundo que é Nova-Iorque. Mas fico com a impressão que é necessário vaguear pelo Central Park para entender a própria cidade.


(Fotografias de Teresa e Fernando Ferreira)