terça-feira, 14 de julho de 2009

Munique




Hoje, quando tentava ressuscitar o meu velho computador para ver o que podia de lá recuperar, encontrei umas fotos antigas de Munique, das quais já nem me lembrava. Foi a primeira viagem grande que fiz com os meus filhos, ele com 10, ela com 8. Até aí, dividia as águas: viajava com o meu marido, ou amigos, e as férias em família, com as crianças, eram na praia. Nesse ano, resolvemos experimentar uma coisa diferente. O meu filho era um entusiasta da Lego e morria de vontade de ir visitar uma Legoland. Foi um bom pretexto, já que eu morria de vontade de visitar os castelos da Baviera. E lá fomos todos para Munique.

Lembro-me da excitação dos miúdos no dia da partida. Levantaram-se de madrugada, sem protestos, para ir para o aeroporto. Eles nunca tinham andado de avião e receberam um certificado e uma prendinha (creio que foi um baralho de cartas!) da TAP. Cada um tinha uma pequena mochila à sua responsabilidade e sentiam-se muito importantes e orgulhosos.


O dia foi longo. Ao fim da tarde, estávamos na Marienplatz, já em Munique, a ver o célebre relógio da Câmara Municipal, com as suas figuras que se movimentam, quando vejo que a minha filha adormeceu. Adormeceu agarrada à sua mochilinha, encostada a um gradeamento que protegia uma árvore, no meio da praça. Tive um ataque de preocupação maternal, voei para o hotel na ideia de os pôr a descansar algum tempo. Que ideia a minha! Mal chegaram ao hotel, o sono desapareceu. Horas depois, já eu estava esgotada e a precisar de dormir, ainda a minha filha cantava, com uma caneca de meio litro de sumo de laranja na mão, na cervejaria mais célebre de Munique!

Foi uma semana muito boa. Os pais também brincaram na Legoland e os filhos também apreciaram os castelos da Baviera. Quando, depois de algum passeio maior por Munique, os miúdos estavam cansados, fazíamos um jogo: ver quem adivinhava o número de passos que nos faltavam até ao hotel. E tudo acabava em brincadeira. É assim que se vão construindo as relações.

Munique, Agosto de 2002 (Fotografias de Fernando Ferreira)

domingo, 12 de julho de 2009

A caminho de Jerusalém


Neste mesmo dia 7 de Julho, mas no já longínquo ano da graça de Nosso senhor Jesus Cristo de 1099, Godofredo de Bulhões chegava às portas de Jerusalém. Decorria a primeira Cruzada. Depois do pregão feito pelo Papa, toda a Cristandade se levantou num impulso entusiástico para libertar o Santo Sepulcro das mãos do infiel. É claro que, no século XI, o mundo infiel estava, em muitos aspectos, mais desenvolvido do que a Cristandade, mas isso que importava para aqueles espíritos movidos pela fé, mas também pela ganância de dominar novos territórios e novas riquezas?

Na 1.ª Cruzada, assim como nas que se lhe seguiram, cometeram-se atrocidades indescritíveis, em nome de Cristo e da sua Igreja. Mas conquistou-se Jerusalém. Por algum tempo, até Saladino a reconquistar para o mundo muçulmano. Nessa época, tal como hoje, Jerusalém representava o centro da fé, o prémio supremo. Disputada por três religiões, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, Jerusalém era considerada o centro do mundo, nos mapas da Idade Média.


Se Deus me ajudar, Deus, Elohim, Alá - tantos nomes para a mesma necessidade de sagrado - lá estarei em Jerusalém no fim deste mês, para fazer um Curso sobre Ensino do Holocausto.

Também comecei o meu cerco a Jerusalém.

(Texto escrito e publicado em 7 de Julho de 2009)

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No passado domingo, dia 5 de Julho, o grupo de professores que vai a Jerusalém fazer o curso "Memória e Ensino do Holocausto" encontrou-se na Biblioteca da Sinagoga de Lisboa para conhecer alguns pormenores logísticos da viagem e do curso.
Gostei de conhecer a sinagoga, que não conhecia, nem sabia onde se situava. No início do século XX, todos os templos não católicos tinham liberdade para praticar os seus cultos, mas não podiam ter fachada para a rua. Assim, a sinagoga, na Rua Alexandre Herculano, passa bastante despercebida. Os espaços, os rituais,as letras e os números, tudo é diferente e, para mim, interessante.
Um dos organizadores da viagem deu-nos os horários de partidas e chegadas. Chegamos ao aeroporto Ben Gurion, em Telavive, cerca da meia-noite. Um autocarro vem buscar-nos, para nos transportar ao hotel, em Jerusalém.
"No dia seguinte, o mesmo autocarro vai buscar-vos ao Hotel e leva-vos ao Yad Vashem, para começar o curso. O autocarro parte às 8h 30m; não se atrasem, que o autocarro não espera", avisa o organizador.
Preocupo-me com a hora da chegada ao Hotel, no primeiro dia. Parece-me um horário muito apertado, muito cansativo.
"E se há um atraso no aeroporto, ou no autocarro?"
"Não há atrasos. Estamos em Israel."
Hum! Onde está o mundo a que eu estou habituada, o mundo contra o qual protesto mas a que já me acostumei, o mundo do pouco mais ou menos, do "cerca das dez horas" na certeza de que será às dez e meia, o mundo da flexibilidade e da aproximação? Desconfio que vou entrar mesmo noutro mundo, um mundo de rigor e horários precisos, mais eficiente, mas muito menos mediterrânico!

Um novo Blogue: Olhares Viajantes

Apeteceu-me criar um novo blogue. Desta vez, é um blogue temático. Se calhar é por estar em férias, mas a verdade é que me apetece mesmo escrever sobre as viagens que já fiz, as impressões que ficaram, como eu olhei para as coisas à minha volta. Postar textos, fotografias, ir organizando álbuns de viagens. Sem ordem especial, ao correr da pena: as etiquetas se encarregarão de ir organizando os meus álbuns. Logo se verá.

Por vezes, irei buscar buscar coisas que já escrevi ao meu outro blogue. Mas aqui só irão caber olhares em busca do que é diferente, olhares viajantes.